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  • Marcelo Rosário da Silva

Leia e Kathy, Carrie e Debbie

Atualizado: 22 de Jul de 2019





29 de dezembro de 2016. Um dia após duas recentes e sentidas perdas no mundo: Carrie Fisher e Debbie Reynolds.

Um mal dia para começar um blog? Sim. Mas talvez um empurrão para algo maior.

Seja lá o dia que você for ler isso, saiba que essas duas incríveis mulheres tiveram um peso muito significativo no desenvolvimento desta página, de nossa loja virtual e de nossa identidade.

Por que?

Primeiro, Carrie Fisher. Apresentada de forma bombástica como Princesa Leia. Já tinha feito algumas participações em filmes e peças na Broadway de sua mãe, mas foi com Star Wars que foi imortalizada. Com o sucesso da saga, pudemos conhecer um pouco da F/força desta memorável artista.

A Princesa Leia não era uma donzela inocente ou vulnerável. Ela tinha guts, era independente, destemida e empoderada.

Tinha, era? Será que a Princesa Leia já não existe mais? Talvez sua trajetória nos filmes ainda exista com CGI ou qualquer outra tecnologia que venham a inventar nos roteiros. Talvez sua imagem, sua ideia, sua filosofia permaneça viva eternamente (sim Star Wars já existe há quase 40 anos e ainda não paramos de falar sobre. Atestado de eternidade conferido, selado e tombado).

Apesar de tudo isso, para nós, Carrie Fisher era Princesa Leia assim como Leia era Carrie. Foi ela quem deu interpretação, vida, sentido e sentimentos ao personagem. Não há como negar sua realeza dentro e fora das telas.

Existe muito para dizer sobre Carrie. Sobre sua rebeldia, sua convicção, suas pegadinhas, seu jeito sincero e explosivo, sua história. Peculiares ainda eram aquelas suas brincadeiras internas de fazer com que as pessoas acreditassem que ela fosse de um certo “tipo" que a sociedade e show business pregava como requisito em uma mulher, mas que, em verdade, era apenas Carrie fazendo as vontades de seus “pregadores" para conhecê-los realmente e ver onde tudo aquilo ia dar.

Seu feminismo, sua mente cheia de vontade de lutar, sua boca lotada de argumentos sem medições, sua memória, seu talento, sua genialidade.

Carrie era uma rebelde que não só lutava contra um Império liderado pelo Lado Negro da Força. Não, Carrie ainda lutava contra as terríveis consequências do mundo do sucesso, contras os demasiados obstáculos da vida, contra toda a ridícula imposição social, contra o machismo de ser vista como um objeto sexual, contra a insistente invasão de privacidade, contra o silêncio que paira toda injustiça, contra o mundo.

Seja o que for, Carrie Fisher alcançou o sucesso de ser ela mesma. Ser autêntica e não ter medo de desabafar suas ambições, seus motivos, seus erros...sua humanidade.

Debbie Reynolds confessamos que foi uma influência maior on screen, já que não aprendemos muito de sua vida a não ser sobre sua era como a queridinha da América, ser mãe de Carrie Fisher e ter uma avalanche de incríveis trabalhos musicais.

Debbie Reynolds, apesar de renomada artista, sempre nos remete a sua personagem Kathy, em Cantando na Chuva. Uma personagem que é injustiçada por não seguir os padrões das telas, mesmo tendo o talento incontestável para assumir sua merecida liderança.

O filme é de 1952, mas até hoje vemos Kathys no mesmo cenário cotidianamente. Não somente no quesito dos padrões de beleza impostos pela mídia, mas também sempre como aquela que detém um papel secundário na trama, principalmente como par romântico do galã do pôster.

Além de todos os seus trabalhos, Debbie era também uma mãe. Foi profundamente triste saber a notícia de seu falecimento, já que é impossível não ligar a dor do luto para a causa de seu AVC.

Nunca esqueceremos sua voz, já que, Cantando na Chuva é um daqueles amores que nunca perdemos. É um dos, senão o melhor, musicais cinematográficos em nossa opinião. Impossível não ouvirmos por aqui alguém cantando, “Good mornin', good mornin'! It's great to stay up late, Good mornin', good mornin' to you".

E assim foram duas personalidades marcantes.

Brilhem forte nos céus escuros, nossas queridas estrelas.

Enquanto brilham lá em cima, nós seguimos aqui nos rebelando.

Algo já está começando a acontecer. O cenário está mudando devagar, já que a própria saga Star Wars caminha com mulheres protagonistas, independentes, fortes e vitoriosas.

Vamos ajudar a não perder este caminho e trilhá-lo mais, muito mais, até a igualdade. Ainda temos muitos Moses por aí que supõem que mulher tem seu lugar pré-definido em casa e que todos nós, rebeldes, temos que nos adaptar a seus padrões e tradições inventados.

Porém, como sempre, "Moses supposes erroneously".

#BEAREBEL

- Marcelo Deans.

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