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  • Marcelo Rosário da Silva

Os perigos do Grupo de Família

Atualizado: 22 de Jul de 2019




Em meio ao caos político e social que estamos vivendo, tanto no Brasil como no resto do mundo, precisamos falar de algo muito sério. Algo que começou com brincadeiras e está tomando patamares aterrorizantes que caem de ponta em discursos de ódios: as notícias falsas. Quem nunca viu um link no Facebook de alguma celebridade que morreu, mas na verdade estava viva aproveitando sua (pós) fama bem tranquila? Ou então aquelas loucas notícias no WhatsApp de passagem de raios cósmicos pela Terra que colocariam em risco quem estivesse dormindo com o celular ao seu lado? Sério, ainda não sabemos como alguém acreditou ou ainda vai acreditar nisso. Compartilhamentos aconteciam, pessoas se preocupavam, aí vinha um herói, contava que era tudo mentira, todos riam, se abraçavam e iam para a próxima "pegadinha” do dia.Há muito tempo estas e outras notícias falsas fazem looping no mundo virtual. Muitas delas foram disseminadas na web na década passada, quando era comum ver todas essas "brincadeiras" disfarçadas de verdade no nosso antigo correio eletrônico. Aquele que você precisava gerenciar seus megabytes no Bol ou no Uol para não lotar sua Caixa de Entrada.

Contudo, nessa época de e-mails, onde eles serviam mais para divertimento do que para comunicação profissional como hoje, a comunicação coletiva não era tão fácil como vemos nas nossas redes sociais atuais.

Antes, poucas pessoas compartilhavam esses conteúdos recebidos (muitas nem sabiam como fazer as listas de destinatários de e-mail) e pouquíssimas vezes criavam uma série de comentários coletivos para discutir ou dar risada sobre o que tinham acabado de receber (Não era muito óbvio a funcionalidade do "Responder todos"). Hoje é diferente. Temos enorme facilidade na comunicação, mais pessoas inseridas na internet e menos heróis da verdade. A propagação dos posts é muito rápida e os comentários são mandados aos milhares em frações de segundos. O herói ou fica perdido no meio de toda a rede de comentaristas, ou leva pancada por estar expondo opiniões com base em evidências.

O ano de 2016 já foi eleito o ano da pós-verdade, onde fatos não importam. Mentiras e sensacionalismo movem massas e fundamentam discursos preconceituosos e de extremo ódio. 2017 não está sendo diferente, já que hoje o jornalismo sério está perdendo força e a prostituição em busca de cliques com manchetes tendenciosas virou estratégia de marketing [facepalm].

As pessoas simplesmente não ligam mais para a veracidade do que estão compartilhando. Basta elas se identificarem com algo que pensam, mas nunca tiveram oportunidade de expressar, que lá vai a avalanche de memes, textões e manchetes do Jornal Nacional do dia: "não deixem de assistir hoje! ___espaço editável para colocar o que estão querendo que aconteça na política___!".

E então chegamos ao ponto. Notícias falsas param de ter finalidade de pegadinha e acabam se transformando em ferramenta para deixar o mundo mais manipulado e sem acesso/vontade de informação. Ou seja, criamos ódio, violência, sustentamos corrupção, abandonamos quem precisa de ajuda e matamos minorias.

Já podemos ver o Facebook utilizando métodos para evitar que mentiras sejam propagadas.Já recebeu aquele pedido de ajuda na timeline? Nós já. Inclusive, fora do Facebook, já existem diversas extensões nos navegadores que podem ser baixadas para evitar que esses tipos de matérias se espalhem (inclusive uma maravilhosa que bloqueia spoilers das suas séries favoritas <3).

O problema é saber se as pessoas querem realmente que as notícias falsas parem.Hoje as mentiras servem para ofender, tomar lado político, chamar qualquer um de vagabundo e até mesmo desejar a morte de alguém pelo o que quer que esteja no conteúdo da mensagem.

Contrariar estas mensagens é criar briga e tomar o grande passo de ser vítima dos mesmos discursos falsos.

O Facebook está mudando, porque o mundo inteiro utiliza seus serviços. A população dos EUA fez pressão na rede social após tantas matérias falsas compartilhadas na época das eleições presidenciais do ano passado.

Mas, e aqui no Brasil que é utilizado tanto o WhatsApp? Quem vai mudar o que é compartilhado nos grupos do aplicativo? Afinal lá os assuntos são mais privados e não tem intervenção sobre o conteúdo das conversas (as far as we know).

Então, querido rebelde, pode se revoltar à vontade nos grupos de família ou de amigos do trabalho. Se a verdade está do seu lado, manda ver!

O mundo precisa ser mais informado, não mais ignorante. Precisamos discutir política, sociedade, sistema prisional, direitos humanos (sim!) e outros milhares de assuntos com argumentos baseados em fatos e, principalmente, em estudos sociais.

A realidade de um não é a mesma realidade de todos. Precisamos pensar para fora de nossos mundinhos e olhar todas as situações como elas realmente são.

Afinal, é muito pedir que as pessoas sejam tratadas como seres humanos?

Nos vemos na próxima quarta-feira!

#BeARebel

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