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  • Gabrielle Canena

PADRONIZAÇÃO vs EMPATIA

Atualizado: 22 de Jul de 2019




É certo que a padronização do que vemos e experiências que temos nos fez quem somos hoje, como seres humanos, seres pensantes, capazes do raciocínio complexo e do julgamento moral.

Porém, até onde essa padronização é saudável e a partir de qual momento ela se torna prejudicial aos que nos rodeiam e a nós mesmos?

A padronização visual garantiu a sobrevivência da nossa espécie durante toda a nossa evolução, evitando perigos e situações que nos colocasse em risco, para fugirmos de predadores, analisarmos o ambiente e “caçarmos”.

Desta forma evoluímos até onde chegamos, através da chamada seleção natural. Entretanto, com o tempo, alguns desafios essenciais para a sobrevivência foram se perdendo, pois crescemos de tal forma que algumas lutas diárias não são mais necessárias a todos.

Grande parte da população mundial não precisa mais “caçar” seu alimento, analisar e padronizar ambientes e objetos para a sua sobrevivência. E assim mesmo, e obviamente, essa “habilidade” de padronização permanece, mas de outra forma, com diferentes impactos nas nossas vidas.

Hoje percebe-se uma padronização que beira o preconceito, onde padronizamos comportamentos, estilos, visuais e criamos estereótipos em diversos aspectos.

Criamos um padrão X de pessoas que se vestem com um certo tipo de roupa, por exemplo. Ou que escutam um estilo musical, que andam de um jeito, que tem estes ou aqueles trejeitos, que falam de uma forma ou de outra, que tem tal cor de pele e tal nacionalidade.

Criamos padrões para qualquer característica alheia e então tiramos nossas conclusões antes mesmo de “entender” o que se passa com o indivíduo em questão. Isso acontece naturalmente, pois é nosso instinto padronizar o que vemos, mas, como seres morais e capazes de julgar, de ter empatia, devemos repensar mil vezes se necessário, antes de chegarmos a uma conclusão sobre algo ou alguém.

A capacidade de ter empatia ao analisarmos alguém é algo crucial nos dias de hoje, é o que define dos menores aos maiores acontecimentos da sociedade. É, sem dúvidas, o grande divisor de águas. Porém não é fácil ser um ser empático. Muitas vezes é difícil se colocar no lugar do outro, de tentar entender o porquê das ações e formas de viver de terceiros, ainda mais quando se trata do oposto dos nossos ideais.

Por isso, é preciso exercitarmos nossa empatia diariamente, até nas menores situações. É preciso nos questionarmos, ir contra nossas próprias ideologias e ideais. Não é uma tarefa fácil, mas não é algo impossível.

Por exemplo, ao vermos um rapaz na rua, usando uma camiseta rosa, um brinco, com um caminhar mais suave que a maioria dos homens que você conhece, qual padrão você cria na sua mente? “Ele é gay”, certo? Errado. Somente quem pode confirmar isso é ele mesmo. “Mas com estas características é muito mais provável que ele seja gay do que hétero”. Errado novamente.

Não há necessidade alguma de tentarmos criar um padrão sobre pessoas que se vestem da forma que lhes é mais confortável, ou da forma que a pessoa anda ou fala. São características individuais, que não significam nada além de que se trata de um ser humano.

O que ganhamos em troca de criarmos um padrão sobre alguém com base nas nossas experiências? Nada, além do preconceito que nós mesmos criamos.

Preconceito este que fará mal àqueles que convivem com você. Que levam pessoas a se isolarem, desenvolverem problemas psicológicos, que acabam achando que há algo de errado com elas mesmas.

Pessoas se suicidam por causa do padrão que você ajuda a criar sobre elas. Deixe-as viver. Deixe-as serem quem são e seja livre para ser o que você é. Ao invés de pensar “ele é gay”, você pode pensar “ele está feliz consigo mesmo, então quem liga para o que ele aparenta ou não?”. O que ele faz, veste e pensa diz respeito somente a ele mesmo, então “quem liga?”. Seria mais fácil viver neste mundo se pensássemos assim.

Da mesma forma que a única pessoa que deve ligar para a sua forma de viver e ser é você mesmo, não se trata do que os outros pensam de você, se trata da sua vida.

Esse pré-conceito não prejudica apenas os outros, mas também te atinge. Se você, por exemplo, gosta de vestir roupas escuras, por que lhe agrada, seria confortável saber que 1001 pessoas te taxam de outras 1001 coisas? “Deve ser drogado”, “Deve ser um revoltado com a vida”, etc. Pode parecer exagero, mas é o que acontece com todos nós.

Todos nós julgamos e somos julgados, mas qual a finalidade destes julgamentos? Não há uma finalidade.

Somos mal-entendidos, julgados, discriminados, sofremos preconceito, bullying, olhares tortos e nos sentimos mal com isso.

Afinal, quem é que se sentiria bem nessas situações? Por esta razão, não seja mais um a criar padrões, a julgar e a discriminar.

Combata seus próprios pensamentos, abra sua mente e liberte-se desta padronização pejorativa e sem sentido. Alimente sua empatia e aprenda a aceitar o outros como são e entenda, que mesmo que você tire suas conclusões sobre alguém, a sua opinião sobre ela simplesmente não importa. Ela não leva você ou esta pessoa a lugar algum.

Importe-se com quem você é e em como ajudar o próximo, a entendê-lo, ao invés de julgá-lo. Você mesmo não é perfeito para poder julgar alguém com base nas aparências, seja mais humilde, mais empático e mais positivo.

Esqueça o “usou rosa, é gay”, “tem cabelo curto, é lésbica”, “é negro, é ladrão”, “é branco, é riquinho”, “é religioso, é burro”, “é ateu, é egoísta”, “escuta funk, não tem respeito nem por si mesmo”, “votou em tal político, é babaca”. Estas suposições são criações de mentes fracas e preguiçosas, que não se dão o trabalho de ter empatia, de fazer a diferença no mundo positivamente.

Não seja mais uma destas pessoas que dedica sua vida a julgar os outros. Seja aquela que faz a diferença no mundo e LUTA pelos outros, por mais que as ideologias destes não lhe agrade. Lute por uma causa maior, que os una. Não se esconda atrás de pensamentos decadentes e preconceituosos, lute por um mundo melhor, seja rebelde.

#BeARebel

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