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  • Gabrielle Canena

A importância de ser um ativista

Atualizado: 22 de Jul de 2019




Muitas pessoas associam o ativismo ao extremismo, ao protesto através de violência, destruição de locais públicos, acreditando que ultrapassar certas barreiras “mancha” a causa pelas quais lutam.

Porém, devemos levar em conta o quanto lutar e ultrapassar essas barreiras é justificável e, até mesmo, necessário. Algumas vezes as lutas e causas sociais são banalizadas e os governos e superiores sequer dão ouvidos, simplesmente porque os protestantes não “fizeram barulho o suficiente”, não se fizeram entender ou não ameaçaram o conforto deles. Por isso, na maioria das vezes os protestos pacíficos não são ouvidos.


Isso não significa que devemos partir apenas para a violência, até porque um protesto "punk" vai contra as ideologias pessoais de muitos. É aí que entra o ativismo. É possível ser ouvido, notado, fazer a diferença, causar o desconforto nos "superiores" sem praticar a violência em si.


Existem várias formas de praticar o ativismo, desde a desobediência coletiva, apoiar grupos de minorias e/ou grupos repreendidos, lutar por eles, defendê-los e ajudá-los. Greves e boicotes são importantes. Eles atrapalham aqueles que "não tem nada a ver", aqueles que não tem um pingo de empatia para entender os motivos da greve, da luta, que não tem a capacidade de se por no lugar dos protestantes. O que não torna a greve, o boicote e a luta menos importantes e dignas.

Toda forma de protesto deve ser ouvida. É direito daquele que protesta e é importante para um grupo de pessoas, logo devem ser feitos e devem ser ouvidos.

O protesto pacífico não deixa de ser importante, não deixa de ser ativismo. Mas fazer mais do que isso é essencial para que as coisas mudem. É necessário se envolver, "por a mão no fogo", deixar a imparcialidade de lado e dar a cara a tapa. Não basta vestir a camisa por um dia, deve-se vesti-la todos os dias.

Devemos praticar o ativismo "interior", sermos conscientes e integrarmos os valores que defendemos publicamente. É incrivelmente fácil fazer parte de um protesto público por algumas horas e, em seguida, voltar para o "modo cotidiano", sentindo-se bem por ter feito a sua parte, cantando e protestando por um mundo melhor ao lado de centenas de pessoas. No entanto, muitas vezes nos esquecemos de refletir criticamente sobre como vivemos nossas próprias vidas. Somos exemplos positivos do que queremos ser?


Os "textões de facebook" são importantes, sem dúvida, por ajudarem a espalhar ideias, destacar a importância das causas pelas quais se luta, convencer pessoas. Mas só eles, sozinhos, não mudam nada se os seus criadores e compartilhadores não agirem. A ação é o que separa drasticamente os opinadores dos ativistas.

E está aí a importância de ser um ativista. Atualmente, mais do que nunca, é imprescindível ter uma opinião formada sobre certos assuntos, como a homofobia e causas LGBTQ, o feminismo, a resistência negra, a política, o meio ambiente, os direitos dos animais e diversas outras causas sociais.

No decorrer da história, todos os avanços sociais e políticos foram obtidos através da revolta, do protesto, da inconformação, da luta pelos ideais. A democracia, os direitos sociais, a liberdade e a paz só foram obtidos a partir da revolta.

Não basta compartilharmos textos e assinarmos petições, o ativismo está no nosso dia-a-dia. Quando vemos uma situação absurda e nos intrometemos, defendendo o que achamos certo. Quando vemos alguém passando dificuldade pela sua condição, sexo, orientação sexual ou cor e, ao invés de rirmos para "não sermos excluídos do nosso circulo social", nos colocamos entre o opressor e o oprimido, defendendo este e defendendo nossas ideias. Honrando nossos ideiais. Praticando a empatia. Fazendo a diferença ao proteger oprimido e ao peitar o opressor, para que este saiba que agora as coisas mudaram e que ele não vai mais sair impune dos seus atos.

Uma prova de que esse método funciona é o movimento #MeToo, no qual diversas mulheres se uniram para relatar casos e casos de assédio, estupro e abuso sexual. Os seus opressores não puderam mais sair impune dos seus atos. O tempo acabou para eles.


É claro que a nossa realidade, nas nossas cidades, nos nossos bairros é muito mais difícil de sermos ouvidos, e é por isso mesmo que a importância de falar, lutar e se rebelar se torna mais evidente. É o primeiro passo para a mudança.

Por mais que você sinta que é o único lutando pelo feminismo, pela LGBTQ, pelo veganismo, pela resistência negra, pelo meio ambiente, você certamente não é o único. Talvez você seja um entre centenas que também tem medo de falar, de agir. Aja, participe de grupos que lutam pelas mesmas causas que você, ou até mesmo os crie.

Não tenha medo de ser discriminado pelos seus ideiais, pois aqueles que riem do seu protesto na verdade o invejam por ter uma causa tão importante na sua vida. Ou até mesmo eles nem saibam a importância de lutar por algo e sempre vão ser os cordeiros, que vão aonde os levarem. Serão "capachos" das suas próprias vidas.

Se você não tem uma causa sequer pela qual lutar, talvez seja a hora de parar e refletir se você não é apenas mais um dos cordeiros. Talvez seja a hora de mudar.

Não seja um simples espectador, lute e faça a diferença, seja um ativista.


#BeARebel

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