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  • Gabrielle Canena

#PRIDE: Guia de gêneros e sexualidades

Atualizado: 22 de Jul de 2019




Hey, Rebels!

Estão todos preparados para espalhar muito amor no Pride Month? Esperamos que sim :D

Neste mês de muito orgulho, preparamos artigos semanais sobre o LGBTQ+, desde este guia sobre as sexualidades e gêneros, como também dicas para ajudarmos pessoas do grupo, etc. Fique de olho, serão lançados toda sexta-feira do mês! 😉

O primeiro passo é esclarecer alguns conceitos e saber diferenciar sexo biológico, identidade de gênero e orientação sexual, porque, sim, são três coisas completamente diferentes!

Vamos lá!


Quando falamos em sexo, nos referimos ao sexo biológico, ou seja, a genitália com que a pessoa nasce. Existem três tipos de sexo: o feminino (vagina), o masculino (pênis) e o intersexual (comumente conhecido como hermafrodita).

“As pessoas nascem com vagina, pênis ou, em casos mais raros, intersexuais, mas aprendem a ser meninos e meninas. A ideia de que existem comportamentos característicos de pessoas que nasceram com pênis e outros, diferentes, de pessoas que nasceram com vagina, não passa de uma construção social! Pois é, desde a infância nos ensinam comportamentos e atitudes adequados e como devemos nos relacionar com outras pessoas, tendo como base o nosso sexo biológico. Esse comportamento aprendido, que se tornou uma espécie de 'lei', é o que organiza a existência de apenas duas identidades de gênero mutuamente excludentes, e determina os papéis de gênero em nossa sociedade. A consequência dessa construção é que hoje se associa à masculinidade as principais decisões em todas as áreas e à feminilidade se associam tarefas e profissões menos valorizadas. Além disso, por conta desse papel social construído as mulheres cis e as mulheres trans sofrem violência, seja por conta do machismo, como é o primeiro caso, ou da transfobia, com é o caso da violência contra mulheres trans. Ou seja, essa diferença acaba criando desigualdades e preconceitos, e é aí que está o problema.” -Viração

Mas e o que é Identidade de Gênero?


Identidade de gênero consiste no modo como o indivíduo se identifica com o seu gênero. Em suma, representa como a pessoa se reconhece: homem, mulher, ambos ou nenhum dos gêneros.

O que determina a identidade de gênero é a maneira como a pessoa se sente e se percebe, assim como a forma que esta deseja ser reconhecida pelas outras pessoas.

A identidade de gênero pode ser medida em diferentes graus de masculinidade ou feminilidade, sendo que estes podem mudar ao decorrer da vida, de acordo com alguns psicólogos.


(Imagem por HuffPost)

Existem três principais tipos de identidade de gênero: transgêneros, cisgêneros e não-binários.


O transgênero é o indivíduo que se identifica com um gênero diferente daquele que lhe foi atribuído no nascimento. Por exemplo: uma pessoa que nasce com características masculinas (do ponto de vista biológico), mas que se sente do gênero feminino; ou o indivíduo que possui características físicas femininas, mas que se identifica como um homem.

Ao contrário do que se pensava erroneamente no passado, a transgeneridade não é um distúrbio mental e qualquer tentativa de patologização do transgênero pode representar uma violação dos direitos humanos do indivíduo.

Logo: Mulher transexual é toda pessoa que reivindica o reconhecimento social e legal como mulher. Homem transexual é toda pessoa que reivindica o reconhecimento social e legal como homem.

Cada pessoa transexual age de acordo com o que reconhece como próprio de seu gênero: mulheres transexuais adotam nome, aparência e comportamentos femininos, querem e precisam ser tratadas como quaisquer outras mulheres. Homens transexuais adotam nome, aparência e comportamentos masculinos, querem e precisam ser tratados como quaisquer outros homens.

Pessoas transexuais geralmente sentem que seu corpo não está adequado à forma como pensam e se sentem, e querem “corrigir” isso adequando seu corpo à imagem de gênero que têm de si. Isso pode se dar de várias formas, desde uso de roupas, passando por tratamentos hormonais e até procedimentos cirúrgicos.


O cisgênero consiste no indivíduo que se identifica com o seu "gênero de nascença". Por exemplo: um indivíduo que possui características biológicas típicas do gênero masculino e que se identifica (socialmente e psicologicamente) como um homem. Desta forma, pode-se dizer que trata-se de um homem cisgênero.


Já o não-binário é a classificação que caracteriza a mistura entre masculino e feminino, ou a total indiferença entre ambos. Os indivíduos não-binários ultrapassam os papéis sociais que são atribuídos aos gêneros, criando uma terceira identidade que foge do padrão "homem-mulher".

As identidades de gênero não-binários são muuuitas, mas vamos resumir para você:


Para conferir a lista completa de identidades não binárias clique aqui.

“A identidade de gênero se refere à experiência de uma pessoa com o seu próprio gênero. Indivíduos trans possuem uma identidade de gênero que é diferente do sexo que lhes foi designado no momento de seu nascimento. A identidade de gênero é diferente de orientação sexual — pessoas trans podem ter qualquer orientação sexual, incluindo heterossexual, homossexual, bissexual e assexual.”

►TRAVESTIS E afinal, o que são “os travestis”?

Primeiramente, sempre refira-se à elas como “as travestis”. Explicaremos o porquê.

O termo “travesti” é antigo, muito anterior ao conceito de “transexual”, e por isso muito mais utilizado e consolidado em nossa linguagem, quase sempre em um sentido pejorativo, como sinômino de “imitação”, “engano” ou de “fingir ser o que não se é”.

A nossa sociedade tem estigmatizado fortemente as travestis, que sofrem com a dificuldade de serem empregadas, mesmo que tenham qualificação, e acabam, em sua maioria, sendo, em grande parte, excluídas das escolas, repudiadas no mercado de trabalho formal e forçadas a sobreviverem na marginalidade, em geral como profissionais do sexo.

Entretanto, é fundamental reforçar que nem toda travesti é profissional do sexo. É importante ressaltar que a maioria das travestis, independentemente da forma como se reconhecem, preferem ser tratadas no feminino, considerando insultuoso serem adjetivadas no masculino.

Entende-se, nesta perspectiva, que são travestis as pessoas que vivenciam papéis de gênero feminino, mas não se reconhecem como homens ou como mulheres, mas como membros de um terceiro gênero ou de um não-gênero.

A denominação “travesti”, mais frequente no Brasil do que em outros país, é historicamente estigmatizada. Tem-se discutido a sua utilidade hoje, quando se entende que:

(1) Elas não se “travestem” no sentido original da terminologia;

(2) Muitas pessoas tidas como travestis têm identidade transexual; e

(3) Há os termos crossdresser e transformista (drag queen ou drag king) para se referir a dimensões específicas da vivência transgênero que não decorrem de aspectos identitários (como a travestilidade ou a transexualidade), mas funcionais, como o prazer e a diversão momentâneas.

►CROSSDRESSERS

Surgiu um termo novo, variante de travesti, para se referir a homens heterossexuais, comumente casados, que não buscam reconhecimento e tratamento de gênero (não são transexuais), mas, apesar de vivenciarem diferentes papéis de gênero, tendo prazer ao se vestirem como mulheres, sentem-se como pertencentes ao gênero que lhes foi atribuído ao nascimento, e não se consideram travestis: crossdressers.

A vivência do crossdresser geralmente é doméstica, com ou sem o apoio de suas companheiras, têm satisfação emocional ou sexual momentânea em se vestirem como mulheres, diferentemente das travestis, que vivem integralmente de forma feminina.

►DRAG QUEENS/KINGS

Artistas que fazem uso de feminilidade estereotipada e exacerbada em apresentações são conhecidos como drag queens que são homens fantasiados como mulheres. No mesmo sentido, mulheres caracterizadas de forma caricata como homens, para fins artísticos e de entretenimento, são chamadas de drag kings.

O termo mais antigo, usado no Brasil para tratá-los, é o de artistas transformistas. Drag queens/king são transformistas, vivenciam a inversão do gênero como diversão, entretenimento e espetáculo, não como identidade.

Aproximam-se dos crossdressers pela funcionalidade do que fazem, e não das travestis e dos homens e mulheres transexuais pela identidade.


A orientação sexual não é a mesma coisa que identidade de gênero, como muitos pensam, e muito menos uma “opção”, portanto nunca se refira à orientação como tal.

“A orientação sexual é a direção para onde aponta o desejo sexual de cada pessoa. Sabemos que não existe apenas uma única forma de expressar a sexualidade, certo? Portanto, devemos acrescentar um 's' à palavra: sexualidades. Além da violência de gênero, a construção social de gênero também reproduz a violência por orientação sexual. Pessoas com orientação sexual distinta da heterossexualidade, que é tida como 'normal', são discriminadas e marginalizadas por não cumprirem o papel social de gênero atribuídos a elas, seja como homem - desejar uma mulher -, ou como mulher - desejar um homem.” -Viração

As principais orientações sexuais são:


É a orientação sexual caracterizada pela atração sexual e emocional entre pessoas de sexos opostos.


É a orientação sexual caracterizada pela atração sexual e afetiva entre indivíduos do mesmo sexo. Em termo comum para designar homens homossexuais chama-se de “gay” e a mulheres homossexuais chamam-se “lésbicas“. "É mais adequado dizer homoafetividade do que homossexualidade; assim como heteroafetividade, em substituição ao termo heterossexualidade, e assim por diante. Isso porque o sufixo “-sexual” tende a compreender que essas relações se reduzem unicamente a tal aspecto (o sexual), o que não pode ser utilizado como regra."


É a orientação sexual caracterizada pela atração sexual e sentimental entre pessoas tanto do mesmo sexo como do sexo oposto. A diferença entre a bissexualidade e a homossexualidade é que também pode haver hipótese de atração entre pessoas do sexo oposto.


A panssexualidade também denominada como omnissexualidade, polissexualidade ou trissexualidade é caracterizada pela atração sexual ou romântica por pessoas independentemente do sexo ou gênero das mesmas. Podem sentir-se atraídos por homens, mulheres ou também por pessoas que não se sentem identificadas com o seu género incluindo interssexuais, transsexuais e intergéneros.


É a falta de orientação e desejo sexual. As pessoas assexuais não sentem atração física ou sexual para com nenhuma pessoa e não sentem desejo pelo prazer sexual, pelo que não se identificam com nenhuma orientação sexual definida. Não é habitual que se apaixonem ou tenham um namorado/a. Tendem a criar um laço afetivo com alguém ainda que não implique que tenham uma relação sexual.


Agora que você sabe todos os conceitos e diferenças, consegue deduzir o significado da sigla LGBTQ?

Se ainda tiver dúvidas, as siglas representam:

Lébicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros, Queers ou que questionam a sua identidade sexual.

Há mais variações da sigla, com a adição do I (intersexuais), ou do A (assexuais ou simpatizantes). O símbolo ‘+’ é por vezes adicionado ao final para representar qualquer outra pessoa que não seja coberta pelas siglas citadas.


“É importante lembrar que para que pessoas pudessem exercer sua sexualidade livremente, sem sofrer censura da família, da comunidade ou até do governo, foi preciso garantir leis para assegurar o direito à livre expressão das sexualidades! Da mesma forma, para que pessoas possam decidir se querem ou não ter filhos, ainda é preciso muita luta para garantir o direito da escolha, que ainda não é uma realidade no Brasil.” -Viração

Esperamos ter ajudado você a compreender toda a diversidade que existe no mundo, a qual, muitas vezes, é desconhecida ou mal divulgada e compreendida. Entendê-la e espalhar esse conhecimento é de grande importância, já que auxilia na familiarização destes termos e na inclusão destas pessoas na sociedade.

Fique de olho nos próximos artigos! Esperamos sua visita 😉

#BeARebel #PRIDE

Com informações de: Viração(Guia de Gênero e Sexualidade para Educadores(as)), Jaqueline Gomes de Jesus (Orientações sobre identidade de gênero: Conceitos e Termos), LadoBi (Entenda as 56 opções de gênero do Facebook), Orientando (Lista de identidades não-binárias), A Coisa Toda (Os 31 gêneros reconhecidos em Nova Iorque).

#LGBTQ #diversidade #pride #direitoshumanos