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  • Gabrielle Canena

A CIÊNCIA ESQUECIDA

Atualizado: 22 de Jul de 2019




Hey, Rebels!

Hoje o assunto é sério. Não há muito para comemorar no Dia Nacional da Ciência, e você entenderá o porquê.

A ciência brasileira, a cada ano que passa, está caindo mais e mais no esquecimento. Está “por um fio”, desvalorizada, sem apoios, sem investimentos e sem verbas.

Neste artigo você entenderá como chegamos à esse ponto, as causas e quais são as consequências de não apoiarmos a ciência e as pesquisas nacionais.

Nunca foi fácil trabalhar com ciência no Brasil e isso já é sabido pela maioria de nossos pesquisadores. Porém, com o passar do tempo isto se tornou mais evidente. A cada ano, o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) recebe menos verbas e investimento do governo, o que impacta drasticamente os bolsistas (dos quais muitos dependem para continuar estudando e crescendo profissionalmente) e, consequentemente, o desenvolvimento tecnológico do Brasil como um todo.

Segundo pesquisas, os investimentos do CNPq em bolsas e projetos está caindo drasticamente desde o ano de 2014 (no qual houve um auge de investimentos).


É preciso ter em mente que o progresso está naquilo de positivo que a ciência pode oferecer a um país e aos seus cidadãos. Países tecnológica e cientificamente autossuficientes têm suas soberanias afirmadas.


No entanto, o Brasil não está no caminho certo, e sim, no caminho da involução. Nunca estivemos em uma situação tão crítica, levando em consideração o desenvolvimento tecnológico de outros países como Israel, Coreia do Sul, Alemanha e Japão.

Como dito anteriormente, muitas pessoas são contempladas com bolsas, as quais incentivam o desenvolvimento de pesquisas nacionais. Muitas destas pessoas dependem inteiramente das bolsas para poderem pagar suas contas, manter-se e manter sua pesquisa.

No entanto, o custo de vida aumentou desproporcionalmente à quantia que as bolsas de mestrado e doutorado oferecem.

As bolsas pagam menos do que o mínimo necessário, fazendo com que os estudantes peçam auxílio à família ou façam bicos para quitar as contas.


(Pequisa feita pela Revista Galileu)

No entanto, este “descaso” e desvalorização não é praticado apenas pelo governo em si, mas também pela própria população. É explícita a falta de crença que a população deposita nos cientistas e pesquisadores brasileiros. A maioria dos brasileiros acredita que as pesquisas científicas não levam à nada e, pior, que a ciência em si é uma falácia.

É um pensamento enraizado na nossa cultura, a qual caminhou para o caminho da pseudociência, do empirismo e de algumas crenças religiosas que batem de frente com a ciência.

No entanto, não há equilíbrio entre o pensamento empírico e/ou religioso e a ciência, logo a população agarra-se mais e mais na crença de que “a ciência não importa, não faz falta”. Isso faz com que a credibilidade dos cientistas caia, levando à desinformação e até mesmo à desistência de alguns cientistas que se encontram neste meio.

A população acabou andando por este caminho sem culpa exclusiva, pois é o que lhes faz sentido, porém isso impacta nosso desenvolvimento como sociedade, nos leva ao passado, à “Idade das Trevas”.

Talvez nossos ideais e crenças devessem ser repensados, no sentido de que devemos dar espaço, sim, à ciência, pois ela importa.

“E quais seriam as consequências, então?”

As consequências desta desvalorização são muito maiores do que aparentam.

O país caminha para a falência do desenvolvimento tecnológico e estamos ficando para trás, se comparados com o restante do mundo. Se continuarmos neste ritmo chegaremos à um ponto de involução que será cada vez mais difícil de revertermos.

O Brasil já é um país que depende muito de commodities, de produtos importados (o que podemos notar pelo preço elevado destes), e a falta de desenvolvimento científico nacional agrava este quadro.

Não temos independência, nosso crescimento se estagna aos poucos. Estamos desvalorizando nossas conquistas e o que produzimos dentro do país.

Além disso, “exportamos” o que poderia ser criado aqui através das pesquisas. Isso se dá devido à “Fuga de Cérebros”, quando cientistas pesquisadores brasileiros emigram para países mais desenvolvidos, para dar continuidade às suas pesquisas, as quais terão muito mais apoio fora do Brasil. O resultado destas será utilizado pelo país que recebeu os cientistas migrantes, e agregará à sua ciência e tecnologia.

É ingênuo pensar que quem detém conhecimento “de ponta” em áreas estratégicas estarão dispostos a dividi-lo ou mesmo transferir tecnologia. Não há essa possibilidade, é muito dinheiro investido para entregar de “mão beijada”.

O desenvolvimento de vacinas para o combate de doenças arboviróticas como Dengue, Zika, Chikungunya etc, estará seriamente ameaçado se não houver a manutenção de, pelo menos, o volume de recursos ora aportado. O orçamento das universidades públicas está comprometido. A UFRJ vive o pior momento desde a sua criação, com a paralisação de grande parte das atividades de ensino, pesquisa e extensão.

"Mas então, o que fazer para impedir que o Brasil se afaste ainda mais do protagonismo científico mundial?"

É preciso que os nossos governantes enxerguem a Ciência e a Tecnologia como estratégicas para o desenvolvimento e adotem uma Política de Estado continuada para o setor. É fundamental também que haja o incentivo aos institutos de pesquisa, visando ampliar o leque de áreas estudadas e, acima de tudo, valorizar o nosso pesquisador. Sem isso estaremos fadados a sermos apenas meros consumidores de tecnologias alheias e atrasadas.

Portanto, é imprescindível que você, Rebel, tome notas sobre candidatos à presidência e atente-se aos seus projetos de campanha, quais deles apoiam o desenvolvimento científico e quais sequer tocam no assunto. Defenda seus ideais.

Faça a diferença! 😉

#BeARebel

Com informações do Canal do Pirula, Estadão, ADUFC e Voyager.

#ciência #tecnologia #pesquisa #datacomemorativa