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  • Gabrielle Canena

Dia da Visibilidade Lésbica

Atualizado: 22 de Jul de 2019





Em 29 de agosto de 1996, realizou-se o 1° Seminário Nacional de Lésbicas – SENALE (seminário Nacional de Lésbicas) no Brasil mais especificamente no Rio de Janeiro, pelo Coletivo de Lésbicas do Rio de Janeiro (COLERJ). A partir desta data, o dia nacional da Visibilidade Lésbica foi instaurado pelas ativistas presentes, e desde então, ativistas de lugares e ideais diferentes vêm se unindo para cada vez mais falar mais alto pela visibilidade. Por isso, que nesta data é comemorado o Dia da Visibilidade Lésbica.

É fundamental a luta todos os dias contra o machismo, racismo e homofobia, como já diz o grito de ordem de diversas marchas. Mas a importância do dia 29 de Agosto vai muito além.

A homofobia não comporta as mulheres lésbicas e enquanto isso a lesbofobia continua agredindo e matando mulheres lésbicas por todo o Brasil. Infelizmente não se encontra dados do IBGE que mostre em estatísticas essas mortes. Basta colocar em seu site de pesquisa “dados do IBGE sobre lesbicas mortas”, sua busca não será tão eficaz, pois dados são contabilizados ainda sobre a Homofobia em si, onde engloba todo o grupo LGBT+.

“Em 2017, contudo, foram registradas 169 vítimas de homofobia, lesbofobia, bifobia, transfobia e intersexofobia – 16 a mais que o ano passado. Os dados são do Grupo Gay da Bahia, Organização Não- Governamental que trata dos direitos dos homossexuais.”

O 29 de Agosto é mais um dia de luta, mais um dia de expor indignações, ocupação de espaço e exigência de direitos.

Mas então, você deve estar se perguntando O que é Lesbofobia?

É uma forma de estigmatização social direcionada às lésbicas e mulheres que são consideradas como tal. Se traduz por meio de expressões preconceituosas negativas como» Lésbicas são caminhoneiras », «Entre mulheres não é sexo de verdade », agressões verbais como insultos, ameaças, zombarias, agressões físicas (ataques, lesões, estupros, assassinatos...) e violência psicológica.

Se manifesta também por discriminações: recusa de serviços, de férias no trabalho…E isso em todas as áreas da vida: espaços públicos, família, amig@s, trabalho, vizinhança, saúde… Como a gayfobia, a transfobia e a bifobia, a lesbofobia é um fenômeno específico. Mas tão pouco falado pela posição que a sociedade coloca na mulher. Ela leva em consideração a maneira como é considerado o fato de ser uma mulher homossexual.

E você sabe porque ter um mês “exclusivo” para Lésbicas?

Numa sociedade que se pauta na heteronormatividade e nesse momento de recrudescimento do discurso conservador, é importante que as lésbicas se olhem e estejam juntas nessa resistência.

E lembrem que este dia vem para dar voz e lembrar que você existe e que a estratégia do sistema em que vivemos, de nós invisibilizar, é justamente porque a forma que amamos é revolucionária. Amar outra mulher é sair da lógica do papel de mulher que a sociedade nos impõe.

Hoje a invisibilidade lésbica se apresenta muito claramente, de formas que antes não visualizávamos assim, mas entendendo agora quando campanhas de conscientização para a prevenção de DST’s se referem exclusivamente as formas de proteção próprias ao sexo heterossexual, na falta de dados e pesquisas sobre as particularidades da violência contra as mulheres lésbicas, e na extrema ausência de representatividade lésbica na mídia.

Por estes exemplos que mostram como é de extrema urgência uma data exclusiva e um mês visado para se debater e promover muito mais a visibilidade das mulheres lésbicas.

Exemplos citados são produto de uma sociedade com valores machistas e lesbofóbicos.


Lutar pela visibilidade lésbica é lutar pelas políticas públicas que sempre foram negadas, bem como ocupar o espaço que sempre foi tirado. Ocupar aquele cargo que é negado, por sua opção.

Faz-se de suma importância evidenciar que tanto o machismo, como a misoginia incidem sobre e atua em uma de suas mais intensas e cruéis formas, a lesbofobia.

É Imprescindível manifestar que existimos e estamos nas suas casas, ruas,

Entenda o termo “orgulho”

Tem a necessidade de lutar contra o sentimento de vergonha que sempre tentam em colocar em cima da gente. Orgulho tem a ver com resistência, e pra você viver fora de um modelo imposto pela sociedade você precisa de resistência.” – Louie Ponto.


Para construir o texto a seguir e fazer milhares de reflexões acerca da visibilidade da mulher lésbica, em uma de nossas primeiras vezes iremos “expor” publicamente em nosso blog memórias e acontecimentos marcantes da vida de B. Não é tão simples, tampouco fácil, mas importante a posição a ser colocada para que se possa entender e refletir-se a importância que este dia deve ter.

B:

"A Minha quase eterna prisão de me NÃO assumir

É bem claro, que o dia que optei por me assumir para meus familiares mais próximos, (meus amigos já sabiam) eu já havia ouvido muitas coisas e passado por muitas coisas, mas a primeira e mais marcante de ouvir neste momento foi:

Mas você quer ser homem?” NÃÃO.

Foi muito difícil, mas para não prolongar, o momento da negação inicialmente e depois de repressão foi, ao longo de um bom tempo, diminuindo e chegou (hoje) a um nível mais que suportável, momento de poder dizer que me sinto da família novamente (da qual não me sentia mais presente). Entretanto, algumas questões sobre a minha aparência, e minha feminilidade não foram tão superadas ou esquecidas.

“Agora ela vai se tornar homem, já até cortou o cabelo, só falta raspar e ter barba.”

“Ah, ela sempre foi assim, jogava bola parecia um moleque, como não desconfiei antes?”

“Nada a ver usar camisetas ou essas calças de homem, você não é um.”

“Mas esse tênis não é de homem?”

“É só uma fase, isso passa.

Em nenhum momento optei por me tornar homem, mas quando se coloca em jogo o amor por outra mulher para a sociedade é como se fosse a única “opção” ou caminho que está escolhendo.

Sempre me recordo com a cabeça levantada dessas frases citadas a cima, de muitas pessoas que intencionalmente ou não confundiram e tentaram por algum momento me aborrecer. A resignação de meus familiares quanto a minha orientação sexual sempre incluiu cláusulas específicas, e bem claras quando ditas. Ou seja, exatamente isso, “tudo bem” eu ser lésbica, mas em momento algum posso “me parecer como homem” “me portar como homem” “pense o que nossos amigos vão dizer” “tudo bem, eu ser lésbica, mas cabelo curto, e roupas de homem, vai ser demais” (mesmo eu deixando claro, que não quero ser/parecer homem, somente me sinto feliz assim) Tendo em vista que para eles era esta a visão que tinham.

Em nenhum momento a preocupação com minha saúde, ou até mesmo como as pessoas estariam me tratando.

O que isso tem a ver com a visibilidade lésbica? Há quase 6 anos morando com minha esposa, na mesma cidade que a maioria de meus familiares, com a minha independência financeira, consegui me libertar da obrigação de ter que me importar com o que vão pensar/sentir pelo que sou. Hoje tenho cabelo bem curto, compro as roupas que me agradam sem me importar em qual seção da loja ela está, muito menos se é ou não de homem.

Com todas essas mudanças em relação ao passado, afirmo sem titubear que sou tão mulher quanto era antes. Entretanto a maioria das mudanças aconteceram sobre a percepção das pessoas em relação a mim, como mulher e lésbica.

Desde que abdiquei de tentar me encaixar a cabeça das pessoas, vi muitas delas queridas por mim se afastarem. Vi muitas vezes confundirem meu sexo por conta de minha aparência (isso sempre achei engraçado, que é aquele momento de constrangimento que você começa um assunto, ou a conhecer novas amizades.) mas vi também muitas oportunidades de emprego, por exemplo serem extintas de mim.

Mas, sem sombra de dúvidas, a melhor coisa foi me enxergar.

Mas deixo claro que a luta ainda não acabou, sou desafiada diariamente, e colocada a prova de minha orientação. Não existe um livro que diga para você o jeito único ou certo de ser lésbica, e ser lésbica não resume nenhuma mulher.

Ainda assim, em uma sociedade em que a heterossexualidade é compulsória, desviar disso é extremante perigoso, tanto para nossa integridade física quanto mental; nossa sexualidade se torna uma questão central em nossas vidas, que em quase todos os assuntos normalmente querem/gostam de saber como exatamente é.

Basta entender que amar e desejar mulheres por si só é uma forma de amor como é uma relação heterossexual. Em uma sociedade muito machista, é a prova de que é possível viver de forma tranquila sem homens. É possível amar sem homens.

...

Acostumada a viver em silêncio, e em cantos escuros onde as pessoas possam não nos encontrar em momento algum. Sendo alvo de piadas, de nojo de invisibilização. O dia 29 de Agosto nos mostra ainda mais forte a “luz” e que devemos ser resistentes a nossa visibilidade, em busca de respeito!

ENTENDAM! Visibilidade não vai fazer com que pessoas que não sejam lésbicas se tornem lésbicas, mas pode ajudar com que mulheres que poderiam passar todas as suas vidas insatisfeitas e infelizes por não conhecerem sua verdadeira sexualidade ou não conseguirem admiti-la nem para si mesmas encontrem apoio e espaço para viver suas vidas de forma mais plena e verdadeira.

No meio disso tudo, representatividade é só uma parcela muito pequena daquilo que precisamos alcançar. Ainda existe um longo caminho a ser trilhado. Ainda precisamos conquistar direitos básicos, como o de permanecermos vivas. Precisamos continuar caminhando até o dia em que a sexualidade de nenhuma pessoa será realmente importante, mas antes disso precisamos passar pelo ponto em que as pessoas vão parar de presumir que qualquer pessoa é heterossexual, e pelo ponto em que casais não-heterossexuais vão ser tão representados em todos os lugares quanto os heterossexuais. Precisamos que a nossa própria existência pare de ser considerada ofensiva, ou ameaçadora ou desconcertante.

Precisamos conquistar nosso direito a finais felizes. E isso não é e não pode ser feito só durante o mês de agosto. É um trabalho duro, incessante e desgastante, um trabalho que não pode ser interrompido.

E não vai.

Nós não vamos parar, não vamos voltar atrás

O silencio também é uma forma de preconceito”

Para denunciar algum caso pelo formulário, como as mulheres devem proceder?

O formulário ainda é um teste. O projeto não possui financiamento para hospedar o documento em uma plataforma especializada ou algo do tipo. No entanto, este formulário do Google ainda é o melhor que encontrei para realizar a pesquisa.

A ideia é levantar os casos de violências sofridas por lésbicas para entender com mais detalhes as condições em que se dão essas violências. O preenchimento pode ser realizado pela vítima, a lésbica, ou por terceiros, e a vítima não precisa se identificar ou ser identificada.

As perguntas foram criadas com base no formulário do Ministério da Saúde (a Ficha de Notificação/Investigação Individual de Violência Doméstica, Sexual e/ou Outras Violências Interpessoais) e foram adaptadas para questões lésbicas.

Foram incluídas algumas outras questões que são pertinentes para compreender a situação de violência contra a lésbica em questão. Foram feitas perguntas sobre a vítima, sobre o agressor e sobre as circunstâncias da agressão a fim de tentarmos traçar um mapa da violência contra as lésbicas no Brasil.

Clique aqui para acessar o formulário.

Ele possui 50 perguntas, o preenchimento é totalmente on-line e a plataforma permite que seja feito pelo computador, ou até mesmo celulares e tablets. O questionário ficou extenso, mas a ideia é permitir uma análise mais detalhada das agressões, o que poderá ser utilizado como base para ações de saúde e segurança.

É importante lembrar que o registro da denúncia no formulário não substitui o registro do um boletim de ocorrência, pois o projeto não encaminha as denúncias coletadas para os órgãos públicos.

Ainda que seja de conhecimento todas a dificuldades que mulheres possuem de realizar denúncias contra seus agressores em Delegacias Civis e em Delegacias de Atendimento à Mulher, incentivamos que esse procedimento seja feito (se possível), pois há a necessidade da criação de dados sobre essas violações e, infelizmente, o Estado só passa a tomar providências quando os números falam mais alto.

#BeARebel

Com informações de Correio Brasiliense , Blogueiras Negras , Valkirias, Médium .

#lésbicas #lgbtq #diversidade