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  • Gabrielle Canena

Dia da Celebração Bissexual

Atualizado: 22 de Jul de 2019





Hey, Rebels!

Hoje, dia 23 de setembro, é dia da Celebração Bissexual!

Este dia é uma chamada às pessoas bissexuais e suas famílias, amigos e aliados para reconhecer e celebrar a bissexualidade, a história bissexual, a comunidade Bissexual e a cultura, e a pessoa bissexual em suas vidas.

Primeiro observado em 1999, o Dia da celebração bissexual é a criação de três ativistas dos direitos bissexuais dos Estados Unidos — Wendy Curry do Maine, Michael Page da Flórida, e Gigi Raven Wilbur do Texas. Wilbur disse,“Depois da rebelião de Stonewall, a comunidade gay e lésbica cresceu em força e visibilidade. A comunidade bissexual também cresceu na força mas de muitos modos somos ainda invisíveis. Também fui condicionado pela sociedade para tachar automaticamente um casal que anda de mãos dadas como hetero ou gay, dependendo do gênero percebido de cada pessoa. ”

Esta celebração de bissexualidade especialmente, ao contrário dos eventos LGBT gerais, foi concebida como uma resposta ao preconceito e a marginalização das pessoas bissexuais por alguns tanto nas comunidades hetero e grandes comunidades LGBT.

Para entender melhor O QUE É o bissexualismo, leia nosso artigo "Guia de gêneros e sexualidades", clicando aqui. Confira também, uma lista de +40 famosos que são bissexuais (muitos deles inclusive são rotulados como apenas gays ou lésbicas, comprovando como a bissexualidade é 'invisível') clicando aqui. Para conferir uma segunda lista (em inglês) maior ainda, clique aqui.


(Freddy Mercury)

"OS INDECISOS"

Promíscuos, indecisos, complicados e confusos. Comumente atribuídos aos bissexuais, formando estereótipos negativos desse segmento LGBTI, esses adjetivos estão sendo combatidos hoje (23), no Dia Internacional da Visibilidade e do Orgulho Bissexual, em diversos atos ao redor do mundo.

Dezoito anos depois da criação da data, a bissexualidade ainda não é reconhecida como orientação sexual independente, pois as pessoas do segmento são tratadas como se fossem metade heterossexuais e metade homossexuais. Com isso, sua orientação é vista como se resultasse de partes que se somam, em um sistema que não acomoda a dualidade.É o que explica o coordenador do grupo paraibano Diversidades, Marcos Dias. “Bissexual é invisibilizado porque é visto como pessoa em cima do muro, entre hétero e gay, hétero e lésbica”, diz.

Outro mal-entendido é achar que a orientação dos bissexuais muda conforme a identidade de gênero do parceiro com quem mantém um relacionamento afetivo. “Para ser considerado bissexual, não é preciso que, necessariamente, se tenha tido um relacionamento com mulher ou homem”, esclarece o coordenador, que é bissexual assumido. Não é, portanto, como se a orientação fosse flexível ou fluída.

“As pessoas insistem em perguntar ‘Agora você está com a ou b?’, para tentar te definir. Quando o bissexual busca alguns serviços de saúde é questionado sobre com quem esteve. Alguns profissionais ainda não estão preparados, buscam subtextos e fazem insinuações que constrangem. Sofremos pressões a mais”, acrescenta.

Os movimentos argumentam que a cobrança por dar satisfações acerca da intimidade é uma das consequências da heteronormatividade da sociedade, que prioriza percepções padronizadas a partir da orientação heterossexual. Além disso, essa exigência descobre um conjunto de “privilégios monossexuais”, muito bem destacados pela ativista de Tel Aviv Shiri Eisner, no texto The Monosexual Privilege Checklist (Check-list do privilégio monossexual, em português).


(Frida Khalo)

NO BRASIL

“A bissexualidade é vista no Brasil como em muitos lugares. É um reflexo dos problemas estruturais que encontramos”, afirma o estudante de psicologia Daniel Eisenberger, uma das sete lideranças do coletivo Bi-Sides.

Ele explica que, como modo de empoderar o grupo, diversas formas de discurso são "ressignificadas". Para responder às tentativas de ocultação da bissexualidade, o segmento escolheu, como um de seus símbolos, muito difundido em São Paulo, o unicórnio. “A gente escolheu porque é um bicho que também não existe e aí faz piada em cima disso”, brinca Eisenberger.

A chacota e a ridicularização da bissexualidade, que geram altas taxas de suicídio, encontram brechas na própria sigla LBGTI e nem sempre há compaixão de grupos representados pelas outras letras. Uma pesquisa da entidade LGBTI Equality Network, do Reino Unido, mostrou, em 2015, que 66% dos entrevistados se sentiam pouquíssimo ou totalmente excluídos da comunidade LGBT, índice que aumentava para 69% quando a sensação de pertencimento era em relação a grupos heterossexuais.

Os bissexuais sofrem invisibilização fora ou dentro da comunidade LGBT. Gays falam que homens bissexuais são enrustidos e que as mulheres bissexuais querem chamar a atenção”, ressalta o estudante.


(Cazuza)

INVISÍVEIS

Todos sabem que a bissexualidade é o B da sigla LGBT, mas das orientações sexuais minoritárias ela é a menos discutida e problematizada, o que dá a ideia de que a comunidade bissexual é escassa, desorganizada e virtualmente inexistente.

Nos últimos tempos, instituições e grupos voltados à causa bissexual travam uma cruzada científica e social para provar que a bissexualidade é uma orientação tão comum e frequente quanto as outras e que deve ser vista como tal.

Muita gente enxerga a bissexualidade como uma orientação conveniente e inventada, usada por homens em negação quanto a sua homossexualidade e por mulheres que só querem experimentar.

Estudos levantados pelo American Institute of Bisexuality demonstram que pessoas que se identificam como heterossexuais têm mais atitudes negativas sobre bissexuais (especialmente homens bissexuais) do que têm quanto a gays e lésbicas. Ou seja, héteros têm mais preconceitos contra bis.Mas a crítica não vem só dos leigos.

Em entrevista para o jornal The New York Times, um dos ativistas do AIB afirmou que, mesmo dentro da comunidade gay, os bissexuais são ignorados, incompreendidos ou alvo de piadas. Membros do AIB insistem que algumas das piores minimizações e discriminações vêm de dentro da comunidade gay, alimentada pelos estereótipos de que pessoas bissexuais estão mentindo para si mesmas e para os outros, estão confusas e não merecem confiança.Além desses fatores, muitos outros contribuem para a invisibilidade das pessoas bi.

O instituto de pesquisas Bisexual Resource Center, de Boston, enumera alguns deles: chamar bissexuais de “aliados”, excluindo-os de uma comunidade que deveria integrá-los; o uso de linguagem não-inclusiva, como casamento gay ou casal gay e casal lésbico, mesmo quando um bissexual compõe o casal; rotular erroneamente como gay, lésbicas ou heterossexuais pessoas que se declararam bi; ou determinar a sexualidade da pessoa considerando apenas o sexo do seu companheiro ou companheira.


(Ana Carolina)

IDENTIDADE X COMPORTAMENTO

Além da invisibilidade e do preconceito, de acordo com a AIB, a maioria dos bissexuais não sai do armário por estarem em relacionamentos com alguém do sexo oposto e não são abertos sobre sua orientação.

De acordo com o terapeuta sexual Joe Kort, autor de um livro sobre homens que se identificam como heterossexuais, são casados, mas também fazem sexo com homens, muitos não contam a ninguém sobre suas experiências bissexuais por medo de perder relacionamentos ou ter a “reputação manchada”. Consequentemente, formam um grupo invisível.

Numa pesquisa realizada nos Estados Unidos em 2013, apenas 28% das pessoas que se identificavam como bissexuais falaram que eram abertas quanto à sua sexualidade. Devido a essa alta improbabilidade de sair do armário, a Comissão de Direitos Humanos de São Francisco chamou os bissexuais de “uma maioria invisível” que precisa de recursos e apoio.

Ativistas bissexuais da AIB acreditam que muito do que as pessoas heterossexuais, lésbicas e gays acreditam sobre a bissexualidade está errado e é distorcido por um parâmetro que se auto-reforça: por causa da bifobia, muitos bissexuais não se assumem. Mas até mais gente bi ser aberta quanto à sua orientação, os estereótipos e a desinformação no coração da bifobia continuarão intactos.


(Janis Joplin)

SAÚDE PREJUDICADA

A marginalização e a discriminação que a comunidade bissexual sofre na sociedade reflete também na saúde dos seus membros. O apagamento bissexual leva muitas pessoas a evitarem exames ou a mentir sobre o histórico sexual.

Ainda de acordo com uma pesquisa realizada pelo instituto de pesquisa Bisexual Resource Center, de Boston, os bissexuais têm uma tendência a enfrentar maiores disparidades de saúde. Comparadas a heterossexuais, lésbicas e gays, pessoas bissexuais têm maiores taxas de ansiedade, depressão e outros distúrbios de comportamento, assim como é maior a incidência do uso de tabaco.

São maiores também as chances de pessoas bissexuais contraírem infecções sexualmente transmissíveis e os riscos de doença cardíaca e câncer quando comparadas aos heterossexuais.


(Ezra Miller)

SEXUALIDADE EM FLUXO

O Instituto Nacional de Estatística divulgou os dados mais recentes sobre identidades sexuais no Reino Unido, e alguns padrões marcantes saltam aos olhos especialmente quando se trata de bissexualidade.

O número de jovens que se identificam como bissexuais aparentemente aumentou 45% nos últimos três anos. As mulheres são mais propensas a se identificar como bissexuais (0,8%) do que lésbicas (0,7%), enquanto os homens são mais propensos a se relatar como gays (1,6%) do que bissexuais (0,5%). Essa última constatação se correlaciona bem com outros estudos no Reino Unido e nos EUA – mas por que isso deveria ser assim?

A sexualidade das mulheres tem sido historicamente policiada, negada e demonizada de maneiras muito particulares e para uma mulher ser qualquer outra coisa que não passivamente heterossexual tem sido muitas vezes considerado uma perversão total. Lésbicas têm sido historicamente vistas como uma raça mais perigosa, um desafio direto às estruturas patriarcais, o que talvez explique por que mulheres possam ser mais propensas a se auto-identificarem como bissexuais.


(Sia)

Algumas pesquisas sobre a sexualidade das mulheres também sugere que as mulheres têm uma abordagem mais fluida em os seus relacionamentos do que os homens.Mas, em seguida, há a questão mais geral do quanto rótulos sexuais ainda são importantes para as pessoas – e aqui, as conclusões da INE realmente começam a ficar interessantes.

Entre os jovens com idade entre 16 e 24 anos, 1,8% disseram que se identificam como bissexuais – superando, pela primeira vez, os 1,5%, que se identificam como gays ou lésbicas. No total, 3,3% de jovens identificados como LGB, uma proporção significativamente mais elevada do que o 1,7% da população geralmente identificado como tal. (Apenas 0,6% daqueles com mais de 65 anos o fizeram).

Em uma sociedade que ainda tende, frequentemente, a ver o mundo em falsos binários – homem/mulher, gay/hétero, branco/preto, e assim por diante – como podemos explicar tal diferença?

A visão pessimista de porque as pessoas mais jovens estão se identificando como bissexuais e não como gays ou lésbicas pode ser que ideias conservadoras, rígidas e polarizadas do que sexo é ainda exerce muita influência. Isso, por sua vez, também pode ter um impacto sobre atitudes em relação à sexualidade, em que um investimento em uma identidade gay ou lésbica pode ser mais desaprovada de que uma como bissexual – que na mente de muitas pessoas ainda tem uma relação “amigável” com a heterossexualidade.

E, no entanto, é claro que se identificar como gay, lésbica ou bissexual carrega menos estigma para a faixa etária mais jovem do que para os mais velhos.

As gerações mais velhas cresceram em um momento onde qualquer orientação, além da heterossexualidade, era tabu, estigmatizados e frequentemente criminalizados. Os movimentos gays e lésbicas dos anos 1970 e 1980, inspirados pelo movimento dos direitos civis dos Estados Unidos, eram muitas vezes firmemente radicais; o conceito da política lésbica, por exemplo, foi muito importante e poderoso. Ao mesmo tempo, ambas as comunidades heterossexuais e lésbicas e gays também foram marcadas por desentendimentos e desconfianças da bissexualidade (resumindo em uma palavra, bifobia).

Mas no Reino Unido, pelo menos, as identidades gays e lésbicas perderam uma boa parte do ônus político que outrora carregava. Então “periféricas”, essas categorias sexuais estão no caminho para serem normalizadas e comercializadas. Muitos na comunidade lembram ou identificam-se com uma era mais radical do lesbianismo político e ativismo gay, e muitos deles estão consternados que as atuais batalhas políticas dos não-heterossexuais por igualdade e reconhecimento são frequentemente focadas em ganhar entrada às instituições heterossexuais, especialmente casamento.


(David Bowie)

ALÉM DE RÓTULOS

A pesquisa do INE levanta questões empíricas que são ligadas aos de identidade. Ela perguntou especificamente questões sobre identidade sexual, em vez de explorar as ligações mais complexas entre identidade, comportamentos e desejos.

A categoria “bissexual” também é muito internamente diversificada. Muitos argumentam que existem muitos tipos diferentes de bissexualidade e outras identidades sexuais que a pesquisa do INE não explorou.

Isso muito é claro ao se avaliar a Pesquisa Nacional de Atitudes Sexuais e Estilo de Vida (NATSAL), que teve lugar a cada dez anos desde 1990 e é talvez a imagem mais detalhada que temos do que as pessoas fazem (ou não fazem) na cama. Ela sugere que o número de pessoas que relatam experiências do mesmo sexo é muito maior do que o número de pessoas que se identificam como homossexuais ou bissexuais.

O infame livro de Laud Humphreys de 1970 Tearoom Trade, um altamente controverso estudo etnográfico de sexo anônimo entre homens em banheiros públicos, nos mostrou que muitas pessoas que procuram e praticam contato sexual do mesmo sexo não necessariamente se identificam como exclusivamente gay ou mesmo bissexual – na verdade, apenas uma pequena minoria de seus entrevistados o fez.

Não obstante o quão longe chegamos, ainda há um estigma social associado a ser lésbicas/gays/bissexuais. Isso significa que as estatísticas que temos será necessariamente uma subestimação, e pesquisas futuras precisarão uma gama muito mais complicada de perguntas para nos dar uma imagem mais precisa. Se perguntarmos as pessoas certas, podemos descobrir que vivemos um momento em que as pessoas estão explorando sua sexualidade sem sentir a necessidade de classificá-las.

Mas estamos indo em direção a um ponto em que o binário hétero/homo entrará em colapso, e onde gênero irá desempenhar um papel menos importante na preferência sexual?

Considerando o privilégio continuado que ainda vem com uma identidade heterossexual e a poderosa história política e emocional das identidades e dos movimentos de gays e lésbicas, talvez não.

Ainda assim, parece que mais pessoas podem estar crescendo com o pressuposto de que a sexualidade é mais complicada do que anteriormente reconhecido – e que isso não precisa ser um problema.

“Ouça o que as pessoas bissexuais estão falando sobre si mesmas. Se a gente fala que tal questão é um problema, ouçam. Medite sobre o assunto. O ponto do empoderamento não é dar voz. As pessoas têm voz. Elas só não conseguem ser ouvidas “.

#BeARebel


(Angelina Jolie)

Com informações de Agência Brasil, Megan Todd e Super Interessante.

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