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  • Gabrielle Canena

COMO APOIAR AS MULHERES

Atualizado: 22 de Jul de 2019





Hey, Rebel!

Hoje, dia 25 de novembro, é Dia Internacional de Não Violência Contra as Mulheres , por isso resolvemos fazer um artigo suuuper especial, falando de diversos assuntos muito importantes.

Nesta ordem, abordamos os assuntos: como ajudar uma mulher em situação de violência, APP para ajudar mulheres em relacionamentos abusivos e/ou sofrem violência doméstica, cartilhas sobre os direitos das mulheres e como combater violência, uma lista de locais de apoio às mulheres no mundo todo, o que é e como combater o estereótipo de gênero, o que é sororidade e como as mulheres podem se ajudar entre si e, obviamente, como não poderia faltar, como você, homem, pode ajudar as mulheres e o movimento feminista.

Boa leitura!


COMO AJUDAR UMA MULHER EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA

Uma conversa entre o Estadão e Ana Lara Camargo de Castro, promotora de Justiça do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul, membro auxiliar do Conselho Nacional do Ministério Público e mestre em direito pela Universidade do Estado de Nova York. Ana Lara é titular da Promotoria de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher desde 2006 e produziu a cartilha “Mulher, vire a página”, disponível no final do texto.

Se ouço ou presencio uma briga e a mulher é ameaçada ou agredida, o que devo fazer? Quando devo ligar para o 180 e para o 190?

Ana Lara Camargo de Castro: Se o caso de agressão for uma emergência, deve-se ligar 190. Em caso de flagrante, a polícia pode entrar e intervir imediatamente.

A Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180) não faz o acionamento imediato da polícia para ir até o local, é importante que isso fique claro. Deve-se ligar 180 se, por exemplo, eu sei que a mulher é vítima de violência constante e não toma a iniciativa de denunciar. Nesse caso, ligo 180, dou os dados e o endereço dessa mulher. As informações precisas são muito importantes, e quem está denunciando não precisa se identificar.

Ao ligar para o 180, o chamado vai chegar na Delegacia de Polícia, mas não em caráter de emergência. O caso vai ser analisado e, partir daí, se tomarão as providências adequadas, como o encaminhamento para a equipe psicossocial, entre outros. Tanto no 180 como em outros serviços de atendimento à mulher, a iniciativa não precisa partir de quem sofre violência. Amigos e família podem contatar e pedir ajuda. O que acontece muito é das famílias acharem que o agressor vai ser preso de imediato, logo após o registro da ocorrência, e não é assim que acontece.

E se, mesmo em flagrante, a mulher não quiser prosseguir com a queixa contra o agressor?

Ana Lara Camargo de Castro: Muitos policiais reclamam que ao chegar no local, a própria mulher pede para não prosseguir com a queixa contra o agressor. Só que há casos que não dependem da mulher querer ou não. Por exemplo, a lesão corporal é uma ação pública e incondicionada, o que significa que deve ser registrada independente do desejo da vítima de denunciar o agressor. Se há lesão corporal, o policial tem que fazer o trabalho dele.

Há muitos motivos para as mulheres não quererem registrar queixa contra o agressor e estes motivos devem ser compreendidos. São fatores tanto econômicos quanto psíquicos que levam uma pessoa a continuar em um relacionamento abusivo. Mas infelizmente é comum que, por conta disso, os profissionais da Justiça e Segurança Pública tomem o problema para si, como se eles fossem os ofendidos: “Não vou cuidar do caso porque ela vai voltar para o marido”. Por isso fazemos trabalho de capacitação, para que o profissional entenda que ele está ali para prestar seu serviço e ajudar a pessoa. A mulher pode até voltar para o agressor, mas isso não significa que a ação do Estado deve acabar.

O flagrante só vale para agressão física?

Ana Lara Camargo de Castro: Não, uma pessoa de fora pode acionar a polícia para qualquer crime, o que muda é o que vem depois. Como vimos, a lesão corporal é uma ação pública e incondicionada, não dependendo do desejo da vítima representar contra seu agressor. Já uma ameaça, por exemplo, precisa dessa representação. A vítima escolhe ou não se quer continuar com o processo.

O prazo para a representação é de 6 meses da data do fato ou do conhecimento da autoria do fato. Isso significa dizer que mesmo que em um primeiro momento a vítima não tenha manifestado desejo em denunciar o agressor, ela pode fazê-lo depois, desde que dentro do prazo de seis meses. Ela pode mudar de ideia.

O que acontece depois do BO?

Ana Lara Camargo de Castro: Se for um crime de ação pública incondicionada, o registro será encaminhado ao Ministério Público, que vai oferecer a denúncia. Se depender de representação (como o estupro e a ameaça), a mulher tem que dar consentimento formal para prosseguir a investigação. O promotor só pode processar com essa autorização. A denúncia é o primeiro passo da ação penal contra uma pessoa.

Em crimes de ação pública a mulher também não precisa de advogado, somente em casos de ação privada (como injúria e difamação, comuns em crimes cometidos na internet). Mas não é necessário advogado no momento do boletim de ocorrência.

Importante lembrar também que os boletins de ocorrência podem ser realizados em qualquer delegacia. Não são todas as cidades do país que têm estruturas especializadas no atendimento à mulher vítima de violência.

Muitas mulheres não querem registrar a agressão com medo de que isso aumente a violência sofrida, ainda mais porque pode demorar até ela ter uma resposta da justiça. O que fazer nesses casos?

Ana Lara Camargo de Castro: Nesses casos nós, enquanto Promotoria, sempre conversamos com as mulheres para que elas reflitam sobre isso, que meçam os riscos. Sempre pergunto: qual risco você já está correndo agora, sem o registro? Com que frequência você tem medo de morrer? Você acha que consegue resolver a situação de forma pacífica ou a consequência será acabar com a vida dela? É preciso ponderar os riscos que elas já estão correndo dentro da relação, e digo que na maioria dos casos o registro resolve, ou ameniza a situação. Muitos homens têm medo.

Uma das alternativas é o pedido de Medida Protetiva, que pode determinar o fim do contato com o agressor, entre outras ações. Como as medidas funcionam? Elas são efetivas?

Ana Lara Camargo de Castro: As medidas protetivas precisam ser pedidas pelas vítimas, Ministério Público ou concedidas pelo juiz. Podem ser feitas logo de cara, na delegacia, ou ser pedidas no decorrer do processo, se passa a haver necessidade. Ouvimos muito de que ela é só um pedaço de papel e que não vale nada, no sentido de que não vai haver um policial cuidando da mulher o tempo todo. Pode não haver, mas elas estão muito longe de ser só um pedaço de papel, tendo um valor muito importante no processo penal.

Elas fazem toda diferença, por exemplo, no acionamento do 190. Se há medida protetiva e ela está sendo descumprida, o atendimento é prioritário. Outro ponto é que marca o momento exato em que o agressor está ciente de que não pode mais se aproximar ou estabelecer contato. Isso significa que você determina onde começa o dolo (a vontade consciente de praticar um crime).

E nos casos de violência psicológica? Um dos maiores entraves é o recolhimento de provas, já que elas não deixam marcas visíveis. O que pode ser usado como prova contra o agressor?

Ana Lara Camargo de Castro: Mesmo em caso de violência física, é importante que a pessoa tome providências o quanto antes, porque logo o hematoma desaparece. E mesmo nesses casos é comum que a violência não deixe marcas. Isso porque a natureza da violência doméstica é a clandestinidade.

É muito raro que haja testemunhas presenciais, por isso o depoimento da vítima tem grande valor e, mais do que isso, a consistência do depoimento da vítima. Apresentar a mesma história nas muitas vezes em que é necessário contar a história, assim como quando a mulher é vítima mais de uma vez. A consistência de sua versão deve ser levada em conta.

Há um segundo ponto muito importante: testemunhas. As pessoas com quem a mulher tem contato e sabem da violência mesmo sem tê-la presenciado. Um amigo ou familiar recebeu uma ligação pedindo ajuda ou abrigo? Isso é prova. Mesma coisa no ambiente de trabalho: se a pessoa era funcional e produtiva e muda com a violência, é um tipo de prova. No ambiente de trabalho inclusive há muitos agressores que as perseguem e ameaçam, entre outras ações. Essas pessoas podem contribuir e ser ouvidas na condição de testemunhas.

Como saber se eu ou uma amiga vive uma situação de abuso psicológico em um relacionamento? O que fazer quando ela não quer denunciar?

Ana Lara Camargo de Castro: Pela minha experiência, com as pessoas que estão em situação de violência mas ainda não admitiram, não é bom usar o termo “Violência doméstica”. Essa pessoa não está pronta para ouvir que é vítima de violência doméstica e ainda pensa nessa figura de vítima de uma maneira muito estereotipada. O que trabalhamos é com dicas para que ela perceba que está em um relacionamento abusivo. Acredito que é melhor não tratar como vítima, mas levar à reflexão sobre aquele relacionamento.

Outro ponto é fazê-la entender que todas as mulheres são vítimas de violência de gênero. Todas nós, desde o momento em que nascemos. Tento fazê-las entenderem isso e que a violência doméstica é apenas um ponto de algo maior, que inclui também o assédio, as exigências de beleza e sexualidade, etc. Você não está isenta da violência só porque não tem um parceiro que te bate. Uso desse argumento para que a pessoa entenda que ela não está sozinha e que aquilo não acontece só com ela.

Resumindo, acredito em duas dicas possíveis: primeiramente não supervalorizar a violência doméstica da mulher, inserindo num contexto de violência de gênero que todas sofremos; e depois fazer com que ela pense nesse relacionamento, se não se encaixa em critérios demais de relacionamento abusivo. Enumeramos esses critérios de maneira bem didática na cartilha.

CLIQUE AQUI PARA ACESSAR A CARTILHA.

APP para ajudar mulheres em relacionamentos abusivos e/ou sofrem violência doméstica

O "Mete a Colher" é uma rede de apoio que ajuda mulheres a saírem de relacionamentos abusivos e enfrentar a violência doméstica. O projeto foi criado em março de 2016, em Recife, por cinco jovens mulheres. Diante do cenário da violência contra a mulher, decidiram criar um movimento de empoderamento e de combate aos relacionamentos abusivos. O grupo emergiu em pesquisas e desenvolveu uma rede colaborativa de mulheres, onde as vítimas de relacionamentos abusivos têm acesso a atendimentos jurídico e psicológico, além de oportunidade de conversar com outras pessoas que passam por situação semelhante. A iniciativa foi premiada no Startup Weekend Women.

Ele é todo baseado em conversas, com uma lógica parecida com Whatsapp e o Facebook Messenger. Apenas mulheres vão fazer parte da rede. Para acessar o aplicativo será necessário o cadastro através do perfil do Facebook das usuárias. Para manter a segurança de todas, além do login via Facebook, haverá também a opção de ter um código PIN para acesso ao app e mensagens criptografadas que se apagam depois de um tempo, deixando quase impossível o acesso de terceiros às conversas.

Assim que acessar o aplicativo, a usuária pode oferecer ou pedir ajuda. Caso a mulher precise de ajuda, será necessário apenas digitar seu relato ou enviar um áudio. Na central de controle, vamos adicionar tags, especificando o que ela precisa, e o pedido será direcionado para quem pode ajudar.

A usuária que entrar no app para ajudar poderá marcar as categorias em que quer oferecer ajuda: apoio psicológico, ajuda jurídica ou inserção no mercado de trabalho. Nessa última categoria, algumas empresas vão poder se cadastrar também. Todas as ajudas terão a conversa como forma de interação.

Clique aqui para conferir uma lista de cartilhas sobre os direitos das mulheres e como combater a violência.

Confira aqui uma lista de locais de apoio às mulheres no mundo todo.


Por Cila Santos:

O Estereótipo

Um estereótipo é um conjunto de pressupostos, ideias pré-concebidas que formamos sobre como uma determinada categoria deve parecer, ser, e se comportar. Por exemplo: quando pensamos na categoria “médicos”, formamos uma imagem mental de pessoas necessariamente inteligentes, estudiosas, cultas, vocacionadas, humanas, responsáveis, heroicas, entre outras coisas. Imaginamos quase sempre a figura do homem branco, vestido com sua roupa branca. É como esperamos que um médico pareça, seja, se comporte.


Se alguém, por acaso, vai a um consultório e encontra um médico vestido de bermuda e camisa rosa; ou se esse médico assume que não sabe responder a uma determinada pergunta; ou se esse médico for uma mulher negra por exemplo; a quebra de expectativa vai ser tão grande que é possível que não se acredite sequer que aquela pessoa seja realmente um “médico”, inclusive duvidando da competência profissional daquele indivíduo (lembra dos médicos cubanos?).

Estereótipos são, portanto, esse conjunto de EXPECTATIVAS que temos sobre algo, que em si não traduzem nenhum dado concreto e nem são capazes de expressar alguma verdade. É uma IMAGEM que formamos que não corresponde a realidade particular daquele indivíduo que pertence àquela categoria. Justamente porque as pessoas são únicas. E tem particularidades.

Dessa forma, a médica negra que falei no exemplo acima pode ser uma profissional impecável. Não há nada nos elementos da sua aparência que tenham ligação com sua performance. Não há nada que indique que ela não seja uma excelente médica. Exceto que sua figura rompe fortemente com o estereótipo, com a expectativa, de como um médico se parece.

E estereótipos são um grande problema. Eles deslocam a atenção do observador do real valor do indivíduo para sua capacidade de atender a performances. Cria diversos “clubes” que só aceitam integralmente àqueles que seguem todas as regras dos seus “manuais de instrução”.

A grande jogada, no entanto, é que é quase impossível seguir à risca todas as regras que os estereótipos ditam. Porque essas regras estão sempre mudando, se aperfeiçoando, se sofisticando. E as pessoas nunca conseguem se qualificar plenamente para os “clubes" que os estereótipos criam. E dependendo da importância social que estes clubinhos tenham, as pessoas se sentem excluídas, rejeitadas, solitárias, infelizes e fazem qualquer coisa para serem aceitas. Para não pagar esse preço social.

Por exemplo, qual a expectativa, qual a imagem, o estereótipo, que temos HOJE (porque já mudou várias vezes) para a “mulher bela”? No geral essa mulher deve ser: a) magra; b) branca; c) cabelos lisos; d) pele perfeita; e) olhos claros; f) traços delicados. Etc, etc, etc e sempre surgindo mais regras. Se uma mulher não atende a todos esses requisitos, ela é feia. Ou pelo menos não é tão bonita. E se ela é feia, ela é rejeitada porque beleza é um valor extremamente valorizado na nossa sociedade.


E aí você tem meninas, desde a infância, vivendo em função de buscar essa aparência mágica, que crescem se martirizando, gastando tempo, dinheiro, saúde, e vagando infelizes pela vida inteira com a auto-estima arrasada, nunca se sentindo boas o bastante. Nunca se sentindo amadas. Nunca se sentindo bonitas.

A sociedade cria os estereótipos, que são exaustivamente reforçados pela mídia como parte de uma estratégia de mercado. Pessoas infelizes se sentindo excluídas, inadequadas, pagam qualquer preço para mudar isso. E quanto mais regras malucas, quanto mais pessoas querendo se “incluir”, quanto mais problemas se criam, mais soluções se vendem. E o mercado lucra.

O gênero

Falando a grossíssimo modo, o gênero é um tipo de estereótipo específico usado para as categorias do sexo biológico. Formando o clubinho do “feminino” que é empurrado para pessoas que nascem com vagina (meninas) e o clubinho do “masculino” para pessoas que nascem com pênis (meninos).

Porém, o gênero é um pouco mais que isso porque contém em si uma armadilha. Observe, abaixo tem uma lista de pares de palavras que são características humanas comuns a qualquer um. Para cada par de características indique qual costuma ser a mais socialmente desejável, aceitável, valorizada, admirada, vista como positiva:


Agora, usando o mesmo quadro marque quais são consideradas características “femininas” e quais são consideradas características “ masculinas”, não só segundo o seu critério, mas principalmente de acordo com o senso comum, a sociedade, mídia, novelas, filmes, revistas, e tudo mais.

Parece que o feminino não está muito bem cotado, não?

a) características que geralmente são atribuídas ao masculino são muito mais valorizadas, desejadas e aceitas que as do feminino;

b) características atribuídas ao feminino que são mais valorizadas geralmente existem em benefício ou em função dos homens (cuidado, beleza, sensualidade);

c) características atribuídas ao “feminino" são como a via “negativa” (ou no máximo complementar) do masculino;

d) características atribuídas ao universo masculino são vistas socialmente como mais importantes e poderosas estando acima das atribuídas ao feminino.

E esse é o problema do gênero, ele cria uma relação hierárquica entre homens e mulheres. Onde homens são mais valorizados, admirados, importantes e submetem mulheres que são consideradas inferiores.

Estereótipos de gênero são a base sobre a qual se constrói o machismo na nossa sociedade, onde tudo que é entendido como “masculino" é dominante e superior e tudo que é entendido como “feminino" é dominado e inferior. É o princípio da ideia de desigualdade entre os sexos.

E machismo mata.

Mulheres ganham menos do que homens, e possuem sempre as menores chances de ocupar cargos de chefias. São excluídas do mercado de trabalho por conta da maternidade. E são as principais responsáveis pelo cuidado com os filhos e com o lar. Mulheres são as principais cuidadoras dos pais e parentes adoecidos e na velhice, dos filhos com deficiência. São as principais vítimas da violência doméstica, são a maioria das vítimas de abuso sexual, estupro. Morrem como moscas vítimas de crimes passionais. São traficadas, prostituídas. São objetificadas. Feminilidade é uma prisão. A sociedade enxerga mulheres como seres de menor importância. E os estereótipos de gênero reforçam isso. O tempo inteiro. "

COMO ISSO AFETA AS CRIANÇAS

Por Escola da Inteligência:

Quando a educação (tanto escolar quanto familiar) diz ou demonstra que em função do gênero do nascimento daquela criança, esta deverá seguir um padrão de cor, interesse, gostos ou comportamentos, por exemplo, trata-se de uma educação limitadora.

Você sabe quem é a pessoa que fez mais gols com a camisa da seleção brasileira? Se você respondeu Pelé você errou.

A maior artilheira da seleção brasileira é a jogadora Marta Vieira da Silva. Se ela tivesse aceitado os padrões dos estereótipos de gênero e não buscasse seu sonho de ser jogadora profissional, não teria alcançado tantas conquistas nesta área que ela se interessa, comumente considerada masculina.

Isso não quer dizer que ela não seria boa em outra profissão. Mas o mais importante é que ela é boa naquilo que ela escolheu ser.

E é sobre essas escolhas que precisamos estar atentos para não limitarmos o outro quando nos propomos a educar.

O caso da jogadora Marta não é isolado. Em todas as áreas é possível encontrar pessoas dos dois sexos se destacando naquilo que se propuseram a fazer.

É importante ressaltar que a grande maioria dessas pessoas conseguiram ir além dos padrões de estereótipos porque, com ajuda ou não, enfrentaram as barreiras dos preconceitos e buscaram aquilo que fazia sentido para elas.

Pode parecer inofensivo relacionar que aquele filme é para um determinado sexo, que aquela cor é para outro, que um comportamento mais sensível não é permitido quando se nasceu com o sexo masculino ou que a pessoa que nasceu mulher deverá ser mais vaidosa.

Tudo isso pode representar algo intencionalmente bom. No entanto, na medida em que o aluno ou filho tem dificuldade em se encaixar em um ou mais padrões pré-estabelecidos, as consequências dessa frustração podem ser devastadoras.

A construção da autoestima

A construção da autoestima se dá desde muito cedo, na medida em que a criança vai formando sua autoimagem baseando-se na maneira com que são tratadas e nas referências das pessoas com quem se relaciona.

Dessa forma, quando há imposição de certos valores e padrões a criança pode gerar comparações sobre ela mesma e, consequentemente, isso irá contribuir para a formação da sua autoestima.

Quando a criança não se identifica com esses estereótipos de gênero, a sua autoestima poderá ficar comprometida.

Isso afeta a sua personalidade e fazendo-a ser uma pessoa que se sente inferior às outras, trazendo dificuldades em ter autoconfiança para encarar os seus sonhos.

E é por essa razão que a reflexão e um olhar mais crítico sobre os estereótipos de gêneros são necessários.

O papel da educação é fundamental para evitar tais consequências negativas e é através dela que podemos quebrar paradigmas e buscar conhecimentos sobre essas questões.

Isso evitará que a formação que promovemos aos nossos alunos e filhos tragam limitações sobre a construção da criatividade e identidade, bem como a busca de seus interesses e necessidades em sua formação humana.


Antes de tudo, precisamos ter em mente o que é a Sororidade.

Nos últimos anos, uma palavra nova --que ainda nem está no dicionário da língua português-- ganhou atenção, principalmente com a ajuda da internet: a sororidade. Esse termo, que tem tudo a ver com o feminismo, ainda causa certo estranhamento para quem não está familiarizado com ele, porém, o seu significado, de maneira simplificada, fala sobre a solidariedade entre as mulheres.

Empatia, solidariedade, companheirismo, respeito… Todos esses termos são citados ao procurarmos pelo significado de sororidade. Em sua origem, o prefixo soror significa "irmã" em latim, fazendo referência à irmandade entre mulheres.

"Como diz Malala Yousafzai, 'sozinha minha voz é apenas uma voz', ou seja, se nós estamos juntas, temos mais força. Percebo cada vez mais isso lendo os relatos do Vamos juntas?, se uma mulher é assediada no ônibus, por exemplo, e ela fala algo sozinha, ninguém dá atenção e ela é desacreditada. Porém, se as mulheres que estão em volta dela também compram a briga e a ajudam, outras pessoas começam a acreditar no que ela está falando. Precisamos da voz de todas para que a gente tenha essa força” explica a jornalista e fundadora do movimento Vamos juntas?, Babi Souza.

Para Babi, a sororidade também funciona como um antídoto à ideia de que devemos competir com as outras mulheres e que não podemos ser amigas: "Fomos criadas em uma sociedade que nos ensinou que devemos nos odiar, que precisamos ter uma roupa mais bonita que a fulana e que precisamos estar mais bem colocadas no mercado de trabalho do que ela. Não podemos dar força à essa ideia de competição, por isso a sororidade é tão importante".

Agora, que o conceito de sororidade já está entendido, vamos às dicas!

1. Seja a amiga que você gostaria de ter. Valorize as qualidades de suas amigas e faça elas acreditarem que podem fazer acontecer. E sempre dê apoio a uma amiga que precisa de colo.

2. Não veja outra mulher como rival só por ela ser mulher, no geral. E, no específico, esqueça a competição com outra mulher por um homem. Não vai ser difamando e agredindo a sua igual que você vai garantir que ele goste de você.

3. Você não é obrigada a ser amiga de todas as mulheres que conhece – se não curte alguém, se distancie, mas nunca seja a pessoa que diminiu a imagem de uma mulher - Criticar as roupas, o corpo, a atitude "barraqueira" de alguém são comportamentos em grande parte misóginos que não precisamos reproduzir.

4. Não aproveite da falta de autoestima de uma mana para ser abusiva (sim, pode acontecer entre mulheres também!).

5. Vibre pelas conquistas de outras mulheres.

6. Mostre os trabalhos de outras mulheres para o mundo e não apenas o seu.

7. Se tiver a oportunidade, indique mulheres, quando qualificadas, para uma vaga de trabalho ou uma promoção.

8. Na escola ou faculdade, não deixe professores sacanas ou colegas cruéis mexerem com as minas, sejam elas suas amigas ou não. A escola pode ser um ambiente sufocante e a adolescência é um período difícil. Imagina para aquelas entre nós que têm mais dificuldade em fazer amizades ou que passam por bullying? Precisamos ter empatia e nos defender.

9. Respeite o jeito de cada uma: tanto de quem gosta de ficar em casa estudando como de quem sai e beija muito na boca. E de todos os espectros possíveis entre um e outro!

10. Na balada, se um homem for inconveniente com minas na sua frente, pode intervir sim – avaliando o risco, claro. Casais de lésbicas, por exemplo, são um alvo frequente de quem acha que pode "pedir para participar".

11. Divulge as organizações que apoiam mulheres que precisam de um aborto, como a Women Help Women ou a safe2choose. Não há risco legal em divulgar esse tipo de trabalho, e pode ajudar a salvar a vida de uma mulher.

12. Você não precisa se engajar politicamente com tudo: às vezes só dar o exemplo com seu comportamento na vida é uma forma de ajudar outras mulheres.

13. Aprenda a perdoar a sua mãe, mesmo que sua forma de pensar seja muito diferente da dela: ela também é uma mulher em um mundo machista.

14. Ouça. Às vezes mais do que falar sobre feminismo é importante apenas ouvir o que outra mulher pensa, sente e viveu.

15. Converse com mulheres mais novas que você, e também muito mais velhas. O mundo muda muito rápido e às vezes a visão de gerações diferentes pode ser muito esclarecedora.

16. Sempre respeite o tempo de outra mulher. Ninguém nasce desconstruída. Conhecimento e empoderamento exigem tempo, dedicação e informação. Seja parte do que ajuda, não do que atrapalha.

17. Não use palavras difíceis com outras mulheres que começaram a entender agora o que é feminismo. Não é uma competição de quem sabe mais. Colabore com mulheres que estão querendo saber mais sobre feminismo indicando espaços onde a mulher tem voz, como reuniões de coletivos feministas.

18. Não subestime uma mulher que pensa diferente de você. Se em vez disso você a acolher, pode enriquecer o debate. Compreenda que existe uma opressão em comum entre nós: o patriarcado, mas que somos diferentes e que temos que aprender a lidar com essas diferenças.

19. Se conhecer uma mulher vítima de violência doméstica, informe-a e dê apoio emocional – mas jamais cobre uma atitude dela. Ela fará isso quando estiver pronta.

20. Ouça de coração aberto as minas que, além de serem minas, pertencem a outras minorias. Muito do que vemos e ouvimos na mídia ou na internet sobre pessoas negras, indígenas, mulheres trans, lésbicas e outras minorias vem de pessoas que na verdade não vivem essas realidades, e isso faz muita diferença sim.

21. Saiba reconhecer seus privilégios e procure sempre lembrar deles na hora de analisar opressões sofridas por mulheres, sem ficar na defensiva. Ter privilégios não significa que você fez algo errado, e ouvindo pontos de vista diferente você pode aprender como pode ajudar sem tirar a visibilidade de outras mulheres.

22. Se você é uma mulher de pele branca, não afirme que é – ou se sente – negra. Senão, as mulheres negras nunca terão voz. Enquanto nos EUA é suficiente uma gota de sangue para alguém ser considerada negra, no Brasil é o fenótipo que decide se as mulheres negras serão ou não estatística – houve um aumento de 54% nos homicídios de mulheres negras e uma redução de 9,8% de mulheres brancas.

23. Trabalhe para que as pautas das negras ganhem mais visibilidade, ainda que o que você possa fazer por isso seja ficando quieta. Uma mulher branca tem menos chances de levar um enquadro da polícia, e não há nada que você possa fazer de imediato contra isso, mas pode colaborar percebendo seu lugar de fala.


Texto por Helena de Saviano:

Sempre estive meio em cima do muro em relação a questão que volta e meia se torna debate entre feministas: qual o papel do homem na luta feminista? Muitas defendem que eles podem contribuir para a luta como coadjuvante, algumas defendem a campanha He for She lançada pela Emma Watson, outras dizem que eles não devem ter qualquer tipo de participação.

Sinceramente, nunca achei muita graça em homem se dizendo feminista, também não achava que eles deveriam estar completamente fora, mas, ao mesmo tempo, não vejo um espaço para eles como coadjuvantes. Um dia li um texto da incrível Djamila Ribeiro e teve uma frase que prendeu meus pensamentos:

"Daí, no movimento formado para combater isso, nós ainda seguiremos apartados? Não perceber a importância disso me faz questionar até que ponto se é aliado"

Bingo! Era isso que me incomodava e ela conseguiu colocar em palavras. Exatamente isso: até que ponto se é aliado? Até que ponto em um movimento que luta contra o patriarcado, a dominação masculina, a hierarquia de gênero, um homem pode participar? Até que ponto ele contribuirá para o movimento ou ofuscará nosso protagonismo e nossas pautas que são o que realmente importam?

O interessante é que essa frase me fez lembrar de uma situação, um tanto quanto desagradável, que me aconteceu.

Em mais um dia de vestibulanda, tivemos uma aula com a discussão voltada para sei lá o que. Prestava atenção quando escutava alguma coisa que me interessava, depois mudava de foco e eu voltava a viajar dentro de minha cabeça. Até que escutei uma palavrinha que fez minha mente entrar em alerta: “feminismo”.

O cara começou a falar que a partir dos anos 1960 as mulheres passaram a assumir comportamentos semelhantes aos dos homens, sendo que os homens que deveriam ter aproveitado as características ditas femininas como a sensibilidade e que nós, mulheres, estávamos a perdê-la porque foi nesse momento que o feminismo ganhou força.

Antes que ele me deixasse falar, eu tinha feito uma série de anotações, mas na hora a única coisa que saiu foi: “Mas professor, não acho que seja isso necessariamente, porque isso reforça estereótipos e o feminismo passou a ser mais aceito há pouco tempo pela desconstrução da visão de um feminismo misândrico, além disso existem várias correntes diferentes dentro do movimento, então acho válido não generalizar”. O cara ficou puto e começou a discutir comigo, não debater, discutir mesmo.

Eu nervosa da cabeça aos pés e ele com o ar de superioridade tentando mostrar base para o que tinha falado anteriormente de um jeito incrivelmente condescendente. Aquilo tava me incomodando demais, tava me sentido sufocada, eu sabia rebater mas senti que não tinha forças ou até mesmo o direito de contestá-lo. Meus pensamentos estavam a mil e eu respondia o que me vinha a cabeça, no que ele encerra a discussão com um:

“Se você sabe tanto sobre feminismo então vem aqui dar aula no meu lugar!”

Depois dessa fiquei quieta e me recolhendo à insignificância de tudo aquilo que penso e acredito. Me senti um lixo, me senti burra, me senti intimidada. Me senti mal porque ele nem ao menos tentou entender o porquê de ter me incomodado. Fiquei irritada por ele ter sido tão hostil a ponto de que eu nem conseguisse mediar meus pensamentos direito.

O encerramento da discussão por parte dele me pareceu: “se coloque no seu lugar”, como um: “eu tenho autoridade para falar o que estou falando, porque além de ser homem, também estou acima de você na hierarquia professor-aluno e por isso o que eu digo é verdade absoluta, você não tem o direito de contestar”.

Alguns disseram que interpretei mal, que não era bem aquilo que ele tinha dito. Mas de qualquer jeito continuei me sentindo incomodada, porque era o dever dele se justificar e esclarecer, porque ele não poderia ter falado assim comigo, já que em momento nenhum fui grossa e por eu ser uma mulher falando sobre feminismo, mas, mesmo assim, ele teve uma postura pedante. Além disso, seu “argumento” final foi de uma falta de educação sem limites, aquilo não tinha desculpa.

Foi a partir desse momento em que a frase “até que ponto se é aliado” passou a fazer sentido pra mim. Foi exatamente nesse momento, porque apesar do cara se intitular feminista e achar que estava fazendo bem em falar sobre isso, não quis deixar uma mulher perguntar e pedir para que ele esclarecesse o que havia dito. Porque o que mais me incomodou foi ele ter desmerecido tudo e completamente o que eu falei, me fazendo pensar que era melhor ter ficado calada.

Nos anos 1960 começou a segunda onda do feminismo, que ao contrário da primeira não lutaria apenas por direitos políticos, mas também pelo fim da discriminação e a total igualdade entre os gêneros. Acredito que ele tentou fazer uma referência à Simone de Beauvoir em seu livro Segundo Sexo, já que este que teve como objetivo mostrar como a mulher se tornou “segundo sexo”, por meio de uma construção histórica e social tendo base até psicológica, criando uma hierarquia de gênero na sociedade.

Nesse livro, Simone questiona o que é ser mulher (inclusive nosso comportamento e sensibilidade "naturalmente femininas") e acho que era isso que ele tinha tentado falar, apesar de não ter se expressado bem. Tentou abordar o aspecto comportamental da mulher e como a segunda onda teve mais força que a primeira, mas não mais que a terceira que teria inicio nos anos 1980, pelo fato de abranger além de direitos políticos. De qualquer forma, a mulher não perde sua sensibilidade ao se tornar feminista. Sensibilidade é algo humano, não feminino, ou ao menos deveria ser.

Além do mais, o movimento feminista começou a ser mais aceito recentemente. Escritoras renomadas que abordam essa pauta, como a Clara Averbuck, dizem que hoje em dia é mais fácil ver uma mulher se "assumir" como feminista. Complemento dizendo que é justamente pela desconstrução de que todas as mulheres que apoiam o movimentos são feias, gordas, peludas (ah, o padrão de beleza), ranzinzas e odeiam homens. Além da repercussão que o feminismo, principalmente o liberal, teve nas redes sociais que dos anos 2000 pra cá ganharam muita força.

A partir desse dia e do texto de Djamila não me sinto mais em cima do muro. O homem pode apoiar as reivindicações, como ocorre quanto a legalização do aborto, ao compartilhar informações em redes sociais, pode bater de frente quando amigo fala coisa machista. Entretanto, o homem não pode ser feminista por que aí, como Djamila disse, nos encurrala num movimento que tem por objetivo nossa liberdade, autonomia e protagonismo, porque ele se sente no direito de falar o que bem quiser sem ser contestado.

Sou a favor da luta contra o racismo, posso até conversar com alguém sobre isso, mas jamais impor minha opinião. Se um negro ou uma negra discordarem de mim, é minha obrigação escutar os pontos de vista e ver se é necessário adaptar meu discurso. Isso pelo motivo de que sou branca e por isso já estou numa posição privilegiada em relação as mulheres negras e homens negros. Portanto, é meu dever escutá-los e dar voz a eles, pois é o movimento liderado por negros e não por brancos que são contra o racismo.

Homens brancos já escreveram e protagonizaram toda a história mantendo negros e mulheres à deriva, está na hora de eles aprenderem que nem tudo é sobre eles, que não precisamos deles pra que nossa luta tenha legitimidade. Esse sentimento de que eles devem ter o direito a opinar em tudo é fruto de privilégios dos quais eles gozam há séculos, suas vozes sempre foram escutadas, mas agora é nossa vez.

Logo, se algum homem apoia a luta das mulheres e acredita na igualdade de gêneros é muito legal, super apoio. Contudo, não me venha propagar sua opinião como verdade absoluta pra cima de mulheres. Pode tentar contribuir revendo suas ações, quem sabe até conversar com seus amigos homens pra ver se amplia a conscientização e melhora seu meio social. No mínimo ao entrar em debate tentar entender o porquê de ser contestado. Pode ser pró feminismo e apoiar a luta, mas feminista não.

“O papel do homem no feminismo é se solidarizar e se desconstruir. Pensar como ele é e o que pode fazer para que a mulher seja igual a ele. Ele tem que baixar a bola, e ela tem que subir a bola. Mas, culturalmente, o fardo do homem é muito pesado. Tem de desconstruir essa branquitude, essa masculinidade. Colocar-se de uma maneira que não seja a maneira padrão. Esse é o papel do homem hoje.” -Heloisa Buarque de Hollanda, professora emérita da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Assista ao vídeo da Malala falando sobre o assunto:


Agora, vamos às dicas! Como você, homem, pode ajudar o movimento feminista:

1. Um grande passo para apoiar a luta das mulheres por equidade é ouvir as mulheres. Um ato machista pouco falado é a interrupção da fala de uma mulher. Às vezes pode ser que você tenha esse hábito com todas as pessoas, agora, quando acontece com mulheres é pior, porque por muitos séculos era absolutamente comum calar o sexo feminino. Esse post do Think Olga explica com mais detalhes quais são as formas que os homens usam para interromper a fala das mulheres.

2. Nas próximas eleições escolha candidatas mulheres. Durante o lançamento da campanha “Igualdade na Política” em março de 2016, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Dias Toffoli, afirmou que o país precisa avançar na participação da mulher na política, tendo em vista que até países muçulmanos e no Irã, notórios pelo desrespeito aos direitos das mulheres, existe maior participação política feminina. Na câmara dos deputados, só 9.94% das cadeiras são ocupadas por mulheres, e estados como Alagoas, Espírito Santo, Mato Grosso, Paraíba e Sergipe não contam com nenhuma representante mulher. Neste post do Blogueiras Feministas você entende mais a importância de ter mais mulheres ocupando cargos públicos.

3. Se você optou por ter uma diarista ou empregada doméstica, pague, pelo menos, 25% a mais do que o valor de mercado. Segundo levantamento da Organização Internacional do Trabalho (OIT) de 2008, há mais de 6 milhões de empregadas domésticas no Brasil (cerca de 16,7% das mulheres que trabalham). Vale lembrar que até 2013, o serviço doméstico não era regulamentado, ou seja, essas mulheres que trabalham na sua casa não tinham nem direito aos benefícios que você e todos os outros trabalhadores têm. Esse post da Renata Corrêa e Srta. Bia explica porque a gente precisa refletir bastante sobre o papel dessas trabalhadoras nas nossas casas. Procure então valorizá-las ao máximo, oferecendo um bom ambiente de trabalho e bom retorno financeiro. Uma opção é verificar quais materiais ela precisa para executar suas funções, elaborar junto a ela um escopo do trabalho e tentar pagar, pelo menos, mais 25% do que o salário do mercado. É importante lembrar que essas profissionais realizam tarefas pesadas e que você mesmo evita.

4. Sempre indique mulheres para vagas de emprego e, caso trabalhe com mais homens do que mulheres, questione seus superiores o porquê. Em um levantamento feito pela Folha de S.Paulo, caso o ritmo continuasse como está, as mulheres só ganhariam o mesmo que os homens em 2085. Se falarmos proporcionalmente da ocupação de cargos de diretoria executiva então, seria mais longe ainda: só em 2126. Estes dados mostram o quão importante é ter mulheres no mercado de trabalho. De novo, não estamos falando de igualdade, e sim equidade. Não precisamos apenas do mesmo número de mulheres em seu ambiente de trabalho. Precisamos de um número maior de mulheres do que de homens, para conseguir equilibrar as contas no futuro. Isso só acontece quando as pessoas que estão no ambiente de trabalho levantam essa questão.

5. Na hora de contratação de mulheres, dê preferência para mães e mulheres solteiras. Em uma pesquisa realizada por uma agência de empregos, 25% das mulheres que deixam o emprego quando têm filhos acabam demorando até dois anos para conseguir uma recolocação no mercado. Esse é um dos muitos dados que mostram a dificuldade que é conseguir emprego tendo filhos, em especial pequenos. Além das mães, mulheres solteiras que planejam ter filhos acabam sempre sendo preteridas para as vagas de emprego, então se você já conseguiu adicionar um passo e selecionar apenas mulheres para a vaga, dê preferência para elas.

6. Faça trabalhos domésticos (50% ou mais), e se você não sabe, aprenda. Estamos em 2018 e não existe nenhuma razão para nós homens não realizarmos as tarefas domésticas. E se, por um acaso você não saiba, aprenda, aqui você encontra o guia definitivo dos produtos de limpeza e o lugar certo para usá-los, por exemplo. Parece absurdo sugerir isso, mas muitos filhos – e muito além dos filhos – ainda acham que as tarefas domésticas são uma responsabilidade sobretudo feminina. Você precisa fazer a sua parte do trabalho doméstico o tempo todo, por sua própria iniciativa, sem procrastinar, sem ser pedido, sem inventar desculpas. Reconheça que seus hábitos domésticos e suas idéias internalizadas sobre trabalho doméstico não-remunerado têm um enorme viés de gênero e beneficiam os homens incrivelmente, e aceite que é sua responsabilidade lutar contra isso. Se feminismo é a teoria, lavar a louça é a prática. Na próxima semana, observe quanto do trabalho doméstico você faz quando comparado com as mulheres que moram com você e observe se essa divisão é equitativa.

7. Lembre-se que sua mãe não é uma empregada. Sabemos que algumas mães ainda tem o hábito de "mimar" seus filhos, independente de idade ou de morar junto ou não. A grande questão aqui não é o comportamento dela, e sim o seu. Você, como um homem adulto, precisa realizar as suas tarefas domésticas e evitar tratar sua mãe como empregada. Afinal, ela é sua mãe, e não alguém que nasceu para te servir.

8. Não cobre das mulheres que elas briguem por questões ligadas aos homens, elas já têm muitas questões para resolver. Essa questão é dedicada especialmente a quem utiliza a justificativa de que "se o movimento feminista quer igualdade, o serviço militar deve ser obrigatório para todo mundo". Se você é homem e é contra o serviço militar obrigatório, você que tem que se unir a outros homens e lutar para que acabe e não pedir para as mulheres serem obrigadas também. Isso vale para tudo, se você acha que o homem atualmente está perdido, se você ou seus amigos não podem fazer nada sem ser recriminado vale refletir, junto a outros homens, essas questões, e não despejar mais problemas em um movimento que vem lutando por direitos bastante básicos.

9. Não passe panos quentes em amigos e colegas de trabalho quando eles forem machistas ou misóginos. Muitas vezes quando ouvimos um comentário machista, recebemos fotos vazadas no WhatsApp ou nos deparamos com qualquer outro comportamento que não é legal, acabamos deixando passar, com medo de ficar climão ou sermos tachados de chato. Pois bem, se você realmente espera uma mudança da sociedade, você precisa trabalhar em pequenos passos, então conversar com seus amigos e colegas de trabalho é essencial.

10. Fique atento para essas questões sempre que possível, mudanças que envolvem alterar seu comportamento precisam de reflexão e muito cuidado. É importante se lembrar das questões femininas o tempo todo: em casa, no trabalho e em festas. Observar se não há mulheres em uma palestra que você é convidado, atentar para seu ambiente de trabalho e chamar atenção para caso não tiver nenhuma mulher no comando é realmente essencial para que a mudança seja efetiva.

11. Não seja um ativista na rua e um machista na cama. OK, você leu alguns posts no Facebook sobre feminismo e agora está convencido de que manja do assunto. Vá com calma. A primeira coisa que você precisa fazer é uma autoanálise para descobrir que tipos de comportamento machista você tem tido com as mulheres ao seu redor: você é daqueles caras que diz que "ajuda" em casa? Converse com a sua parceira e comece a fazer 50% das tarefas domésticas. Você ainda dá a sua roupa suja para a sua mãe lavar porque "ela sempre fez isso"? Meu, fala sério. Você é um pai? Parabéns! Você assume 50% das responsabilidades na hora de cuidar do seu filho? Hmmm... melhor conferir isso aí também. Quando uma mulher fica brava, você presume que ou é porque ela está menstruada ou porque ela precisa transar? Volte para a primeira casa! E ei, você acha que apoia emocionalmente a sua namorada/esposa tanto quanto ela te apoia? Não se pode construir uma casa começando pelo telhado. Sempre é necessário ter um alicerce, e não existe nada pior do que ser um ativista na rua e um machista na cama.

12. Cale a boca. Você diria a um oncologista as suas opiniões sobre o câncer? Então também não é necessário fazer o papel de "advogado do diabo" em um assunto que não (que coincidência!) te afeta. E, por favor, não nos interrompa a cada cinco segundos para tentar se distinguir dos "outros homens". Sim, já sabemos que nem todos os homens são iguais, mas se você se importa mais em provar que você não é igual aos outros homens do que com escutar e entender nossos pensamentos e opiniões sobre o assunto... bem, nesse caso você não é lá muito diferente do resto.

13. Confronte seus amigos. Certo, então você ouviu várias mulheres, começou a entender qual o resultado disso tudo, percebeu que muita coisa é uma merda e agora você tem algumas sugestões sobre o que as mulheres deveriam fazer ou dizer em certas situações. NÃO. ERRADO. Agora é hora de fazer o verdadeiro trabalho sujo: confrontar seus colegas e amigos. Sim, aquele cara que vive compartilhando fotos de garotas peladas no grupo de WhatsApp de vocês, aquele que chama qualquer mulher acima do tamanho 38 de "gorda", aquele que faz uma mulher se sentir desconfortável no bar quando ela está se divertindo com as amigas dela, aquele que chama a chefe dele de "mal-comida" ou aqueles que fazem piadas (haha) inocentes (hehe) e bem inofensivas (HAHA) sobre bater em mulheres. NÃO!

14. Use o seu privilégio para apoiar a causa certa. Infelizmente, sempre que uma mulher aponta uma atitude machista (como o fato de que a sua mãe sempre é a encarregada de fazer tudo na hora de preparar uma refeição para a família), ela é acusada de estar exagerando (você está maluca!) ou mesmo de ser grossa (como você é chata). Que tal usar seu privilégio para algo mais positivo, como apontar essas atitudes machistas para os outros homens e ficar do lado da mulher?

15. Pare de julgar as mulheres. Sempre que você tiver uma opinião forte sobre uma mulher, se pergunte se ela está baseada em ideias machistas. Em linhas gerais, não comente sobre a aparência de uma mulher, mesmo que você ache que seja um comentário positivo: nós mulheres sofremos uma quantidade absurda de pressão social sobre nossos corpos. Quando nós, mulheres, fugimos do padrão que a sociedade determina, recebemos duras críticas: se uma mulher não quiser ter filhos, ela é egoísta e não tem coração; se ela quiser um relacionamento, ela é antiquada, mas se ela quiser o oposto disso, ela é uma puta. Não perpetue esse sistema.

16. Sempre que uma mulher expressar uma opinião que faz com que você se sinta desconfortável, tente entender o porquê de você se sentir assim em vez de ficar na defensiva ou tentar diminuí-la. Todos nós temos atitudes machistas. Elas são apenas um produto da educação que recebemos e da sociedade dentro da qual crescemos. Policiar-se com relação a essas atitudes é uma tarefa constante dentro do feminismo. Se você acha isso desafiador ou difícil, é porque você está aprendendo.

17. Não subestime os problemas das mulheres nem diga que estamos exagerando. Não importa o quanto você tente se colocar no nosso lugar, você nunca será capaz de vivenciar o que as mulheres vivenciam diariamente. Por esse motivo, não menospreze os nossos problemas: se uma mulher reclamar para você sobre o problema do assédio nas ruas, não diga que "é só um elogio". Para você, esses problemas são a exceção, mas para nós, são a regra.

18. Se importe com a sua masculinidade e os problemas causados pelo modelo social tóxico de masculinidade. Olha só, cá entre nós, não virei feminista para que os homens possam "se sentir à vontade para chorar" ou "falar sobre os sentimentos deles". Para deixar claro, sim, acho uma droga que vivamos em um sistema que força os homens a serem fortes, másculos e poderosos e que nos diga que um homem sensível é fraco... mas, sinceramente, estou mais preocupada com feminicídios, violência machista, estupros, a diferença salarial entre homens e mulheres desempenhando a mesma função, aborto, problemas causados pela pílula anticoncepcional, assédio no ambiente de trabalho e ter que ficar constantemente olhando para trás quando volto para casa tarde da noite. Depende de você, como homem, desconstruir os estereótipos que a sociedade impôs sore a sua masculinidade. Esse não é o meu trabalho, é o seu. Divirta-se.

19. Ceda seu espaço e entenda que você não é o centro do universo. Nós, mulheres, somos menos ouvidas que os homens. A menos que nos tornemos um "objeto de desejo", também tendemos a nos tornar invisíveis. O feminismo busca igualdade porque vivemos em uma sociedade desigual. Sinto muito te dizer isso caso você ainda não tenha percebido, mas, para alcançarmos uma sociedade verdadeiramente igualitária, um determinado grupo precisa perder poder para que outro o ganhe. É simples, mas é a coisa mais difícil. Ninguém gosta de perder o seu privilégio. E é por isso que você precisa ceder seu espaço e respeitar o espaço das mulheres.

20. E lembre-se: sua amiga feminista não é o Google. Existe uma prática comum no Maravilhoso Mundo do Novo Aliado, que é constantemente conversar com sua amiga feminista sobre assuntos feministas. Não me entenda mal: é um tópico interessante para uma conversa e é ótimo ver você se interessando pelo feminismo. Mas, sério, se você não entende o motivo pelo qual feminismo não se chama "igualitarismo" ou "humanismo", busque no Google. Se você quiser entender as ondas do movimento feminista, busque no Google. Se você não entende o motivo pelo qual um elogio pode ser considerado ofensivo, você também pode pesquisar isso no Google. Sério, consultar constantemente uma mulher feminista para que ela tire as suas muitas dúvidas sobre o feminismo virou meio que o novo "passa a minha camisa, tô com preguiça".

21. Consuma produtos culturais produzidos por mulheres. Seja lá quais forem seus interesses – cinema Francês, astrofísica, baseball, ornitologia – certifique-se de que as vozes das mulheres e os produtos culturais das mulheres estejam representados naquilo que você está consumindo. Se não estão, esforce-se para incluí-las.

22. Eduque-se a respeito de consenso sexual e certifique-se de que haja uma comunicação clara e inequívoca de consenso em todas as suas relações sexuais.

23. Seja responsável pela contracepção. Se você está em um relacionamento onde a contracepção é necessária, ofereça-se para utilizar métodos que não tenham riscos à saúde da mulher (uso de hormônios, cirurgias, etc) e trate esses métodos como opções preferenciais. Se sua parceira preferir um método em particular, deixe-a ser responsável por tomar essa decisão sem questionar ou reclamar. Não faça manha sobre usar camisinha, e seja responsável por comprá-la e tê-la disponível caso esse seja o método que vocês estejam usando. Assuma a responsabilidade financeira por qualquer custo relacionado à contracepção. Mulheres ganham menos que homens, e também precisam assumir todo o risco físico de uma gravidez. E mais, em instâncias onde a contracepção envolve qualquer tipo de risco físico, virtualmente são sempre as mulheres que têm que assumir esse risco. Como um gesto de compensação minúscula dessa disparidade, homens heterossexuais deveriam financiar todo o custo com contraceptivos.

24. Tome a vacina de HPV. Se você for um homem jovem, tome. Se você tiver um filho jovem, certifique-se de que ele tome. Já que as mulheres são aquelas desproporcionalmente afetadas pelas consequências do HPV, por questão de justiça os homens deveriam ser aqueles que pelo menos assumam os riscos potenciais de ser vacinados. (Eu sou amplamente pró-vacinas em geral e não acredito que hajam riscos significativos, mas essa é uma questão de princípio.)

25. Tenha uma política de nomes progressista. Se você e sua parceira mulher decidirem que a instituição do casamento é algo com a qual vocês querem se envolver, esteja aberto para que ambos mantenham seus sobrenomes. Se ter um sobrenome em comum com sua esposa é tão importante para você, esteja disposto a mudar o seu sobrenome e trate isso como uma opção preferencial à sua esposa trocar o dela.

26. Se vocês tiverem filhos, sejam pais da mesma forma. Esteja disposto a tirar licença paternidade e ficar em casa cuidando deles quando eles forem pequenos. Divida as responsabilidades de cuidado de modo que você esteja fazendo pelo menos 50% do trabalho, e garanta que esse cuidado seja dividido para que você e sua parceira ambos possam ter uma quantidade igual de tempo para brincar com seus filhos também.

27. Preste atenção e desafie instâncias informais de reforço de papéis de gênero. Por exemplo, você está em um evento de família ou em um jantar, preste atenção se são apenas (ou em sua maioria) mulheres que estão preparando a comida/limpando/cuidando das crianças enquanto os homens estão socializando e relaxando. Caso positivo, mude a dinâmica e implore que outros homens façam o mesmo.

28. Certifique-se que honestidade e respeito guiem seus relacionamentos românticos e sexuais com mulheres. A forma com que você trata mulheres com quem você tem um relacionamento é um espelho dos seus valores com relação a mulheres em geral. Não adianta abraçar a teoria feminista e tratar suas parceiras como lixo. Seja honesto e aberto sobre as suas intenções, comunique-se abertamente para que as mulheres possam tomar decisões informadas e autônomas sobre o que elas querem fazer.

29. Seja responsável pela sua própria saúde. Homens vão ao médico com menos frequência que mulheres quando algo os incomoda, e quando eles vão geralmente é por insistência das mulheres do seu convívio. Ter uma longa vida em parceria com sua esposa significa ser responsável pela sua própria saúde, prestar atenção a qualquer incômodo e levá-los a sério. Já que somos dependentes um do outro, sua saúde a longo prazo é também a saúde a longo prazo dela.

30. Não fique secando ou faça comentários sobre mulheres (ex. mantenha a boca fechada e seus comentários pra si mesmo) Ainda que possa ser mais provável que as mulheres usem roupas mais reveladoras que os homens, não fique as secando só porque você quer e pode. Mesmo que você ache alguém atraente, existe uma linha entre perceber a pessoa e ser um babaca/ desrespeitoso. Isso faz com que a pessoa que recebe a secada se sinta desconfortável, assim como qualquer outra mulher que perceba que você está secando alguém ou percebam dos comentários.

31. Preste atenção ao gênero dos especialistas e principais personalidades que apresentam informações para você na mídia. Quando você estiver assistindo a um especialista na TV, lendo artigos, etc., perceba com que frequência essa informação virá de um homem, e, no mínimo, imagine o quanto uma perspectiva feminina poderia ser diferente.

32. Assegure-se de que alguns de seus heróis e modelos de exemplo sejam mulheres.

33. Elogie as virtudes e conquistas das mulheres da sua vida para as outras pessoas. Nas conversas diárias e na sua comunicação em geral, fale para os outros sobre as mulheres que você conhece sob um ângulo positivo. Sugira as suas amigas mulheres para projetos, trabalhos e colaborações com as outras pessoas que você conhece.

34. Não trate a sua esposa como uma “pentelha”. Se ela está “pentelhando”, você está provavelmente deixando algo para trás.

35. Saiba que reconhecer suas próprias opiniões e estereótipos sexistas não é o suficiente. Faça algo a respeito disso.

36. Tenha amigas mulheres. Se você não tem nenhuma amiga mulher, descubra o porquê e faça algumas amigas. Assegure-se de que sejam relações autênticas e significativas. Quanto mais a gente se preocupa e se identifica uns com os outros, mais chance a gente tem de criar uma sociedade mais igualitária.

37. Não policie a aparência de mulheres. Mulheres são ensinadas a internalizar normas de beleza extremamente restritivas desde quando são crianças muito pequenas. Não faça ou diga coisas que façam com que as mulheres sintam que não estão cumprindo essas normas, ou crie pressão para que elas as cumpram. Ao mesmo tempo, também não é uma resposta feminista fazer ou falar coisas que pressionem mulheres a usar seu corpo para resistir a essas normas se elas não quiserem. Reconheça que há significativas sanções sociais para mulheres que desobedecem padrões de beleza e não podemos esperar que elas ajam como mártires e aceitem essas sanções se não quiserem. Se de acordo com seu senso estético ou ideais você acha que ela usa muita maquiagem ou maquiagem de menos, retire pelos corporais ou não o suficiente, não é da sua conta como as mulheres decidem a aparência de seus corpos.

38. Ofereça-se para acompanhar suas amigas mulheres se elas tiverem que caminhar para casa a noite sozinhas… ou em um espaço público onde provavelmente elas se sentiriam inseguras. Mas não insista em fazê-lo ou aja como se você estivesse sendo o maior cavalheiro do mundo por fazer isso.

39. Injete feminismo em suas conversas diárias com outros homens. Se o seu pai não faz a sua parte do trabalho doméstico, converse com ele sobre porquê isso é importante. Se seu amigo trai a namorada dele ou fala dela negativamente, fale francamente para ele que respeitar a mulher com quem ele tem um relacionamento íntimo faz parte de ter respeito com mulheres em geral. Tenha conversas com seus irmãos mais novos e seus filhos sobre sexo consentido.

40. Se você tem tendência a se comportar de maneira inadequada com mulheres quando você está sob a influência de drogas ou álcool, não consuma drogas ou álcool (pelo menos não quando estiver com elas).

41. Adquira o hábito de tratar a sua masculinidade como um privilégio não-merecido que você precisa trabalhar ativamente para ceder ao invés de tratar a feminilidade como uma desvantagem não-merecida que as mulheres precisam batalhar para superar.

#BeARebel

Com informações de Estadão, BuzzFeed, Globo, Medium, Escola da Inteligência, Universa, Super Ela, Cyntia Semiramis, Desfensoria de São Paulo, GeoFaust, Gauchazh.

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