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  • Gabrielle Canena

COMBATE À INTOLERÂNCIA RELIGIOSA

Atualizado: 22 de Jul de 2019





Hoje, dia 21 de janeiro, é dia de combate à Intolerância Religiosa! A intolerância religiosa é a não aceitação da religião ou crença de um indivíduo, se manifestando através de agressões verbais ou físicas, ataques aos locais dos cultos ou até a crimes maiores.

Aqui no Brasil, não respeitar as crenças alheias é crime! Portanto, devemos entender melhor o que é a intolerância em si e aprendermos a respeitar as diferenças, para que todos possam exercer seus ideais sem serem julgados ou oprimidos.

Neste artigo vamos entender melhor como a intolerância religiosa surgiu no Brasil, como combater este preconceito e vamos fazer um tour rápido pelas principais religiões, para que você entenda melhor cada uma e, quem sabe, mude algumas ideias enraizadas que possam ser antiquadas e padronizadas. Vamos lá!

HISTÓRIA

A intolerância religiosa no Brasil começou com a chegada dos portugueses.

Como o catolicismo não admitia nenhuma outra religião que não fosse a católica, as crenças dos indígenas passaram a ser vistas como maléficas e, portanto, desprezadas.

Com a chegada dos negros que foram escravizados a mesma atitude se repetiu. Para escapar da perseguição dos senhores e do clero, os negros usavam as imagens dos santos católicos em suas cerimônias quando na verdade estavam cultuando seus orixás. Assim começou a relação entre o sincretismo e as religiões afro-brasileiras.

Durante o Império, a religião católica foi declarada oficial pela Constituição de 1824. Isso queria dizer que nenhuma outra religião poderia realizar cultos públicos. Igualmente, os locais destinados às reuniões não poderiam ter, externamente, símbolos que identificassem como um templo.

Com a abertura dos portos às nações amigas e a chegada de vários ingleses ao Brasil, esta política foi revista na prática, já que estes eram, em sua maioria, protestantes e judeus.

No Segundo Reinado, o aumento da imigração alemã proporcionou a vinda de pastores luteranos que abriam seus templos para atender as novas comunidades.

Com a chegada da república houve a separação da Igreja e o Estado consagrada na Constituição de 1891. Em 1903 é revogada a lei que impedia templos não católicos de terem características de “igreja” e desta maneira são levantados vários locais de culto cristão.

Isso não quer dizer que a intolerância religiosa tenha acabado, pois a própria Igreja Católica teve vários bens confiscados pelo governo.

Também há casos de perseguição do clero católico aos pastores batistas e metodistas.

No entanto, quem mais sofria intolerância religiosa eram as religiões de matriz africana. Perseguidas pela polícia, os praticantes deviam esconder-se ou suportar invasões e penas de prisão por estarem reunidos em suas cerimônias religiosas.

Recentemente, o grupo que mais sofre com a intolerância continua sendo os de religiões de matriz africana, através de diversos atos de vandalismo, os quais são muito frequentes.

INTOLERÂNCIA E COMO COMBATER

A intolerância religiosa sempre esteve presente, é só darmos uma olhada para trás e não precisamos de muito para nota-la: a intolerância contra os judeus, a perseguição de cristãos durante o Império Romano. Entretanto, uma vez que foi legalizado e admitido como religião do Império, é a vez dos cristãos se tornarem intolerantes com os pagãos, judeus e, mais tarde, os muçulmanos.

Mas afinal, como combater?

A chave para combater a intolerância religiosa é o conhecimento e o respeito. Primeiro é preciso um conhecimento básico das religiões, para que você tenha um mínimo de conhecimento suficiente para ter uma opinião sobre a religião em questão. Em segundo lugar, é preciso ter muito respeito por quem segue esta crença. Afinal, mesmo que uma pessoa não concorde com sua crença ela tem os mesmos direitos que você para praticá-la (e vice-versa).

Outro conceito muito importante a ser entendido é que:

“Ideias não merecem respeito, pessoas sim”

E o que isso quer dizer?

Que podemos sim questionar ideias e crenças alheias, mas sempre devemos respeitar as pessoas que as seguem. Tudo pode ser debatido (ao contrário do que muitos pensam): política, futebol, religião. Porém, ao criticar, debater sobre ou questionar ideias alheias, devemos respeitar quem está por trás delas, não necessariamente o que ela prega.

E lembre-se sempre que, se você pode criticar ou brincar com a religião alheia, outros podem fazer o mesmo com a sua (e isso não é o fim do mundo!).

O respeito à crença alheia vale também aos ateus. Assim como eles tem o dever de respeitar aqueles que seguem uma religião, os religiosos também devem respeitar a sua opção de não seguir uma religião. É um conceito simples de respeito mútuo, mas que muitas vezes não é aplicado na prática.


RELIGIÕES E CRENÇAS

Agora vamos fazer um tour rápido pelas religiões e crenças mais seguidas e comentadas!

É sempre bom se informar e aprender mais sobre aquilo que está fora da nossa “bolha”, certo?

Cristianismo

É uma religião monoteísta centrada na vida e nos ensinamentos de Jesus, tais como são apresentados no Novo Testamento da Bíblia, seu livro sagrado. A religião cristã tem três vertentes principais: o Catolicismo Romano, a Ortodoxa Oriental e o Protestantismo. Há três pessoas (Pai, Filho e Espírito Santo) que formam um só Deus. É a Santíssima Trindade. Após a morte as pessoas têm a vida eterna, e vão para lugares específicos mediante o seu comportamento terrenal.


Islamismo

Islamismo ou Islã é uma religião monoteísta fundada pelo profeta Maomé no início do século VII. Os fundamentos do islamismo estão representados no Alcorão, livro sagrado que serve de base para a fé muçulmana. "Islã" é uma palavra árabe que significa "submissão" ou "rendição" e se refere àqueles que obedecem a Alá, o único e verdadeiro Deus, o Criador, o Provedor e o Ceifador da vida. Aquele que segue a fé islâmica é chamado de muçulmano. Profissão de fé: “só há um Deus e Maomé é seu profeta” é o credo fundamental do Islamismo.


Hinduísmo

O Hinduísmo é a religião oficial da Índia e uma das mais antigas tradições religiosas que se encontra registro histórico. A religião, politeísta, é a terceira maior religião do mundo, perdendo em número de seguidores apenas para o cristianismo e o islamismo. ​Uma das principais características do hinduísmo se dá na divisão da sociedade indiana por castas. São grupos sociais hindus, compostos separadamente por brâmanes (sacerdotes), xátrias (guerreiros), vaicias (comerciantes), sudras (operários) e fora da estrutura social ainda existem os párias, também chamados de intocáveis. O hinduísmo é mais do que uma religião, configura todo um universo cultural indiano, com reflexo direto na sociedade e políticas locais. Também chamada de Sanatana Dharma, expressão em sânscrito que significa "lei perpétua".


Budismo

Budismo é uma religião e filosofia orientais, fundada por Sidarta Gautama, o Buda. A filosofia budista é guiada pelos ensinamentos de Buda, e acredita que o caminho para a libertação está na consciência que pode ser alcançada por práticas e crenças espirituais, como a meditação e o yoga. A religião budista na sua forma clássica não é teísta, ou seja, não possui um Deus. Buda não se acreditava uma divindade que devesse ser adorada, e sim um guia espiritual com seguidores de suas crenças e práticas. Mas existem correntes panteístas e teístas. Os budistas acreditam que a consciência física e espiritual leva à iluminação e elevação, o chamado nirvana. É o plano mais alto de consciência, onde o ser está livre da dor do mundo físico. O Budismo também acredita que todos os seres possuem encarnações e reencarnações, inclusive os animais e plantas. Por isso o indivíduo deve ser bom a todos os seres, já que em outra vida pode-se experienciar aquela forma. Este ciclo de reencarnação é chamado de Samsara.


Judaísmo

Judaísmo é a religião do povo judeu e a mais antiga tradição religiosa monoteísta. O judaísmo é uma tradição matriarcal, o que portanto determina que um filho de mãe judia também será judeu. O judaísmo segue os ensinamentos da Torá e da Bíblia Hebraica, que correspondem ao Velho Testamento da Bíblia Cristã. Os cinco primeiros livros, a que os judeus dão o nome de Torá, teriam sido escritos por Deus e não devem ser nunca modificados. No cristianismo correspondem aos livros do Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. A tradição e filosofia judaicas são transmitidas por meio do Talmude, livro que reúne as leis judaicas na forma de histórias e comentários. O Deus é único e não possui imagem ou corpo. É a única entidade a ser louvada, sendo a autoridade máxima do universo. Deus apenas se comunica com o seu povo por meio dos profetas, como foi Moisés.


Espiritismo

Espiritismo, Kardecismo ou Espiritismo Kardecista é uma doutrina religiosa de cunho filosófico, cuja principal crença gira em torno da constante evolução espiritual do ser humano, através das reencarnações. O espiritismo é aberto aos preceitos de diferentes religiões, como a cristã e a umbanda, por exemplo, sendo que existem particularidades específicas em comparação a cada uma delas.Na doutrina espírita, por exemplo, Jesus Cristo é visto como um espírito de 1ª ordem, ou seja, um espírito superior, com a missão de ajudar a guiar toda a humanidade em rumo da perfeição espiritual. Em contraste com o cristianismo, o espiritismo não acredita no nascimento sobrenatural de Jesus.No entanto, a Bíblia Cristã costuma ser bastante utilizada entre os espíritas como uma das várias referências literárias sobre o mundo espiritual, em especial o relato da vida e obra de Jesus Cristo.O espiritismo de Allan Kardec é a síntese de diferentes doutrinas, religiões e até mesmo de estudos científicos, como é o caso do Evolucionismo, de Charles Darwin. Para a doutrina espírita, os espíritos estão em constante evolução, assim como para Darwin os seres vivos também estariam evoluindo constantemente, de acordo com o meio em que estão inseridos.Além disso, os princípios da caridade e da reencarnação são básicos do espiritismo, sendo estes respectivamente típicos do Catolicismo primitivo e do Budismo. Para o espiritismo, todos os seres humanos são médiuns, ou seja, canais de comunicação entre o mundo material e o imaterial (dos espíritos). Porém, existem pessoas com maior sensibilidade para estabelecer este elo comunicacional. Os médiuns são responsáveis por se comunicarem com os espíritos de inúmeras maneiras, sendo a psicografia e a incorporação os meios mais comuns.


Matriz Afro

Umbanda: Umbanda é uma religião brasileira formada através de elementos de outras religiões como o catolicismo ou espiritismo juntando ainda elementos da cultura africana e indígena.A palavra é derivada de “u´mbana”, um termo que significa “curandeiro” na língua banta falada na Angola, o quimbundo. A umbanda tem origem nas senzalas em reuniões onde os escravos vindos da África louvavam os seus deuses através de danças e cânticos e incorporavam espíritos.O culto umbandista é realizado em templos, terreiros ou Centros apropriados para o encontro dos praticantes onde entoam cânticos e fazem uso de instrumentos musicais como o atabaque. Apesar disso, quando o Umbanda foi criado, não existiam manifestações musicais, como cânticos e utilização de instrumentos.O culto é presidido por um chefe masculino ou feminino. Durante as sessões são realizadas consultas de apoio e orientação a quem recorre ao terreiro, práticas mediúnicas com incorporações de entidades espirituais e outros rituais.O culto se assemelha ao candomblé, no entanto, são religiões que possuem práticas distintas.

Candomblé: Candomblé é um culto ou religião de origem africana que foi trazida para o Brasil pelos escravos. Os seguidores do candomblé prestam culto e adoram os orixás, que são deuses ou divindades africanas que representam as forças da Natureza. A designação candomblé é mais popular na Bahia, em outros locais do Brasil é conhecido como macumba (no Rio de Janeiro) e Xangô (no Recife). Apesar disso, a definição "macumba" normalmente não é adotada pelos seguidores do camdomblé, porque muitas vezes tem uma conotação pejorativa.Tanto no Candomblé como na Umbanda existem Orixás, que são considerados forças da natureza. No entanto, são duas religiões distintas. Aquela que é considerada a maior diferença é a crença nas entidades e influência destas. Existem entidades da Umbanda cujas origens e funções não são reconhecidas pelo Candomblé. No Candomblé apenas os Orixás podem incorporar nas pessoas, enquanto na Umbanda qualquer entidade por fazer a incorporação.


Paganismo

Paganismo é um termo geralmente utilizado para se referir a posicionamentos religiosos diferentes dos tradicionais.O conceito de paganismo varia entre as religiões. Para o cristianismo, judaísmo e islamismo, o paganismo consiste em qualquer prática ou atitude religiosa divergente da sua. A expressão paganismo também é utilizada para designar qualquer religião politeísta (mais de um deus) ou mesmo a ausência de religião.

Neopaganismo

Também chamado de paganismo moderno ou paganismo contemporâneo, o neopaganismo se refere a diversos movimentos religiosos novos baseados em crenças pagãs antigas. Enquanto alguns movimentos neopagãos apresentam diferenças com seus modelos antigos, muitos buscam reviver os elementos da crença da forma mais fiel possível. Alguns exemplos de religiões neopagãs são: wicca, neodruidismo, helenismo e neopaganismo germânico.

Ateísmo

Ateu é quem não crê em Deus ou em qualquer "ser superior". A palavra tem origem no grego “atheos” que significa “sem Deus, que nega e abandona os deuses”. É formado pela partícula de negação “a” juntamente com o radical “theos” (deus). O termo nasceu na Grécia Antiga para descrever aquelas pessoas que rejeitavam as divindades adoradas por grande parte da sociedade. Eram considerados ímpios por não acreditarem nos muitos deuses venerados. Nas religiões teológicas (que envolvem a crença em um ser divino), um ateu é aquele que nega a existência de um ser supremo, onipotente (que pode tudo), onisciente (que sabe tudo) e onipresente (que está ao mesmo tempo em todos os lugares). O ateísmo é a "doutrina" dos ateus. É uma postura filosófica que rejeita a ideia de existência de quaisquer deuses. É uma atitude de descrença perante a afirmação religiosa de que existem divindades e de que elas exercem influência no universo e na conduta humana. Um ateu pode ter uma atitude ativa (quando defende de forma veemente a ausência de qualquer deus) ou uma atitude passiva (quando nega apenas por não haver provas que demonstrem a existência da divindade). A atitude passiva é uma forma de agnosticismo, em que os ateus agnósticos não acreditam em Deus, mas ao mesmo tempo não descartam a possibilidade de existência.

Satanismo

Satanismo é um movimento, doutrina ou crença filosófica que contempla a figura de Satanás de forma positiva. O satanismo consiste na negação e inversão de práticas e crenças cristãs. Começou a ser definido a partir do século XVIII, tendo uma origem relativamente recente. Alguns dos seus seguidores afirmam que o satanismo não é apenas uma religião, e teve influência de várias religiões, pontos de vista e obras literárias. Existem diferentes correntes de satanismo, com diferentes crenças e práticas. Existem satanistas teístas e ateístas. Enquanto os teístas acreditam na existência de uma entidade chamada Satanás, os ateístas não acreditam em divindades como Deus e o Diabo, e vêem Satanás como um símbolo do orgulho, independência e ambição pessoal.


O satanismo teísta é praticamente uma religião “morta”, enquanto o satanismo ateísta ganha notoriedade atualmente, muitas vezes conhecido como Satanismo moderno ou satanismo de LaVey/LaVeyano é uma filosofia fundada em 1966 por Anton LaVey, considerada religiosa por conter dogmas e rituais, embora estes sejam focados em psicodramatizações (com o objetivo de catarse, por exemplo) e não em crenças em relação ao sobrenatural. Seus ensinamentos são baseados no individualismo, hedonismo e na moralidade "olho por olho". Diferente dos satanistas teístas, satanistas de LaVey consideram Satanás como um símbolo da natureza inerente do homem, e não como um deus ou ser sobrenatural. O satanismo de LaVey é um "pequeno grupo religioso que não é relacionado a nenhuma outra fé, e cujos membros sentem-se livres para satisfazer suas vontades responsavelmente, exibir simpatia aos seus amigos e atacar seus inimigos." Suas ideias foram detalhadas pela primeira vez em A Bíblia Satânica e é supervisionado pela Igreja de Satã. A Igreja de Satã defende todos os seus seguidores das falsas acusações de sacrifícios de crianças e animais, já que as regras descritas na Bíblia Satânica proíbem expressamente o ataque a crianças, ou a animais não-humanos (no caso de outros animais, podem existir duas exceções: No caso de obtenção de comida ou em caso de necessidade de defesa).


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