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  • Gabrielle Canena

combatendo a violência contra a mulher


Vamos aproveitar a data de hoje para falar sobre as violências normalizadas por nós nos nossos relacionamentos?


Hoje é o Dia Internacional de Combate a Violência Contra a Mulher. Esta data, 25 de novembro, foi estabelecida no Primeiro Encontro Feminista Latino-Americano e do Caribe, em 1981, na Colômbia, em homenagem às irmãs Mirabal - Patria, Minerva e Maria Teresa - que foram brutalmente assassinadas no dia 25 de novembro, no ano de 1960, pelo governo militar do ditador Trujillo. As irmãs lutavam para que os problemas sociais fossem resolvidos. Por uma vida digna não só das mulheres, mas de todo um povo que vivia oprimido.


Concordo com a fala de Bell Hooks, em seu livro O Feminismo é para todo mundo, quando afirma que para mudarmos o patriarcado, antes, precisamos mudar a nós mesmas, precisamos criar consciência.


Então, o que é violência? Antes de pensar no Feminicídio, que aconteceu com as irmãs Mirabal e acontece até os dias de hoje no nosso país, vamos pensar no que é violência? Quais atitudes do nosso dia a dia são violentas? Como ela começa nos relacionamentos que vivemos?


Nós, homens e mulheres, normalizamos situações violentas nas nossas relações. Nomeamos ciúmes excessivos com "cuidado". Controlamos a vida do outro. A agenda do outro. A amizade do outro. E mudamos o outro. Tentar moldar/mudar o outro é um ato de violência contra tudo que ele é em sua totalidade. E colocamos o outro numa prisão. Numa vida de opressão, de regras. Se você não aceita o ser humano a sua frente como ele é, deixe-o partir.


Agora, falando de relacionamento abusivo. Eu mudei totalmente o modo de me relacionar com as pessoas depois que passei por um relacionamento abusivo. Eu não tinha uma vida digna naquela relação. Não me sentia viva. Não me sentia digna, porque era isso que ele colocava na minha cabeça todos os dias. Eu sofria violência psicológica e não sabia.


Para ele eu não era boa esposa, não era boa de cama, não era boa na faxina, não pagava todas as contas da casa, não era atenta com as coisas do nosso filho. Não sabia ajudar em nada. E quando eu achava que tinha feito tudo da forma como ele queria, estava tudo errado novamente.


Aos poucos comecei a me comportar exatamente como ele queria, resolver as coisas exatamente como ele resolveria, e pensar como ele em determinadas situações, para que não houvessem brigas. Para chegar em casa e tentar ter um pouco de paz.


Eu era julgada o tempo todo. E as situações eram manipuladas por ele, para ele parecer o marido perfeito, e eu a mulher ingrata. E o pior é que demorei um bom tempo para perceber que tudo aquilo que ele fazia comigo eram atos violentos.


No dia das mães do ano passado ele teve um surto de ciúmes e me violentou. Eu fiz todos os registros sem ele saber e depois de um mês e meio tive coragem de dar andamento nos procedimentos de separação.


Hoje não estou aqui para falar sobre violência doméstica. Podemos nos dedicar a esse extenso tema em outro momento. Mas para, assim como Hooks, dizer que precisamos tomar consciência do que é violência e de como é relevante percebermos os primeiros sinais de que nosso relacionamento não é saudável.


Precisamos nos atentar ao fato de que um ato violento leva a outro. Ciúmes excessivos e o controle da vida do outro levam à violência física. E a violência física caminha para o feminicídio.


Um dia ele toma seu celular. No outro ele revira suas coisas. No outro ele está lhe sacudindo. Te ameaçando. Te controlando. E quando ele perceber que não pode te controlar. Ele vai tentar acabar com a sua vida.


Por isso, nesse dia tão relevante para a nossa luta no combate à violência contra a mulher, criemos consciência do nosso lugar no mundo.


Diga não a qualquer forma de violência que você vem sofrendo no seu relacionamento, seja ela psicológica, física, moral, patrimonial ou sexual. Tudo que não é para o seu bem, é violência! Se liberte!


Texto por leitora do blog anônima.

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